(parte 2
Ao longo da minha experiência profissional, já devo ter frequentado cerca de 1000 horas de formação. Valeu a pena? Não, não valeu e com muita tristeza o digo. Mas, justiça seja feita. Algumas valeram e lembro a última sobre capacitação digital. Só porque tive a sorte de encontrar alguém competente e sabia do que ensinava. Também recordo, no sentido inverso, uma outra de 50h, já há muitos anos, sobre quadros inteligentes. Os famosos e caríssimos smart boards. Na minha escola há 5 mas não é fácil usá-los e acho que ninguém os usa. A formação recebida não funcionou e não foi só culpa do formador. Nem sequer internet havia na escola onde fiz a formação (leiria) e não era possível ao formador poder fazer qualquer tipo de demonstração prática para os formandos aprenderem a usá-los. A conclusão é óbvia. Muitos milhões de euros gastos, inutilmente. E muito mais dinheiro do contribuinte continua a ser gasto em formações que só servem como instrumentos de propaganda de modelos de ensino ou de avaliação que só podem ter origem em alguém muito tresloucado da cabeça. O projeto MAIA. (Monitorização, Acompanhamento e Investigação em Avaliação Pedagógica) Das criações mais absurdas e estapafúrdicas que alguma vez vi quererem introduzir nas escolas. Sim, não estou a exagerar. E se alguma virtude pudesse andar por ali escondida nesse projeto, seria completamente impraticável com o número de alunos que temos por turma e da quantidade de turmas que muitos professores têm. Já nem ouso falar daquelas formações de aprender a ser feliz na escola. Os professores e escolas todas em alvoroço e surgem formações para aprender a ser feliz na escola. Só pode ser gozo de alguém.
A formação de professores é importante, sim, é importante. Mas não é esta formação que nos impõe. Não serve fins pedagógicos ou melhoria de práticas educativas mas talvez sirva uma agenda de propaganda ideológica que não me cabe a mim ou a nós professores explicar.
Formação, sim, de acordo com as reais necessidades dos professores e jamais para simular ou maquilhar a vergonha do modelo de avaliação de desempenho.
