À conversa com um aluno do 12°ano.

Encontrámo-nos por acaso e conversámos. De escola e pouco mais.

No final da conversa, perguntei-lhe: “disseste que tinhas lido muitos textos do blog e que tinhas gostado e que ias continuar a seguir. Na perspetiva do aluno, o que é que tu gostavas que eu publicasse?” A resposta foi pronta e sem hesitações. “Gostava que falasse sobre os alunos que atrapalham as aulas e não deixam trabalhar os outros e ninguém faz nada e é importante.”

Prometi que iria pensar nisso mas não preciso pensar muito porque é conversa recorrente nas escolas. O que este aluno, inteligente, falou foi sobre a disciplina nas escolas, ou a falta dela e a impunidade reinante. Quer dizer que as aulas são uma “balda”? Não, não são. Mas nem precisa porque basta um aluno para destruir o trabalho sério de uma turma. E é realmente irritante porque se os professores se dão ao trabalho de fazer participações, as Direções das escolas ficam furiosas. Não querem dar mau nome à escola. Se os professores não registam participações, algumas Direções protestam e interrogam o diretor de turma por que razão não há participações desses alunos. Desesperante! Ninguém quer saber e, em última análise, a culpa é do professor. Falo do que sei e isto é sério demais para brincar com o assunto. Os professores interiorizam, fecham-se e a maior parte já tem vergonha de falar sobre isso, até porque não esquecem que a avaliação de desempenho ainda os pode prejuducar mais e o melhor é calar. Que diabo de escola esta em constante choque com o discurso da  escola paraíso que sai da boca do ministro e de muitos diretores sempre que a podem abrir com palavras mansas e sedutoras. Não é esta escola que queremos! Não é esta a escola que os alunos querem. A escola da impunidade e da irresponsabilidade. Ainda alguém se espanta que os professores andem em luta e exijam respeito?

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