Deram-me um magalhães, eu levei-o para a escola, mas como nunca conseguiamos entrar na net, nunca o usámos e deixei de levar. Tenho-o ainda no sótão e a minha experiência é que só servia para jogar os jogos que já lá estavam instalados, como o super tux. Aquilo não servia para mais nada.” Outro testemunho:
“a minha experiência com o magalhães baseou-se no simples facto de jogar plants vs zombies ahahah . quando mo deram nunca me foi pedido para o trazer para a escola por isso nunca o usava para esse fim, mas também era complicado porque aquilo não tinha net. por isso sim, só o usava praticamente para jogar e brincar. As minhas amigas também só o utilizavam para jogar.”
Alguma vez foi feito um estudo do impacto dos milhões gastos com o portátil magalhães nas aprendizagens das crianças? Não conheço. O que estamos a fazer agora é a repetição de 2010. Oferecer computadores que os alunos não usam ou raramente usam na escola. Retorno, onde? em quê? dou o meu testemunho como professor: depois de entregarem os computadores aos alunos, a diferença é nenhuma e já vi muitos, mas muitos, avariados e outros com o teclado todo encaracolado com o sol e bastantes a pedirem ao meu colega coordenador na minha escola da equipa teci para lhos arranjar. É uma dor de alma. Não posso ficar calado e não sinto qualquer gosto especial em manifestar a minha oposição ao processo da dita digitalização das escolas. É falso e estão a mentir-nos. Quem nao acredita, peça autorização, visite qualquer escola, conte os computadores que lá estão instalados e compare com o número de alunos. Não sabemos dar valor ao que temos? Isso é falso. Não sabemos é gerir e organizar os poucos recursos que temos. Mas não culpem os professores.
E, a propósito da chamada digitalização, leia este texto da Revista Visão. Vale a pena. A estupidificação digital.
