Sindicatos ou dançamos o fandango?

Adivinha-se mais um ano de luta na educação e, inevitavelmente, greves. O veto do Senhor Presidente, poucos ou nenhuns efeitos terá nesta luta que se arrasta à custa de uma visão de país que jamais descolará da cauda da europa com governos pitosgas, incompetentes, teimosos e,  desgraçadamente, arrogantes. Em setembro, não prevejo muita paz nas escolas. E não se iludam porque não haverá planos de aprendizagem que compensem uma escola em completo alvoroço. Imaginem uma família desavinda e imaginem o futuro dos membros dessa família. Na escola é a mesma coisa.

A questão que se coloca é a do papel dos sindicatos nesta atmosfera quase irrespirável de ambiente escolar. Serão ou não necessários? Poderão contribuir para purificar o ar que se respira? Há quem pense que sim e quem pense que não. Consta que um tal de David já venceu um tal de Golias. Mas já lá vão milhares de anos e não havia escolas. Também consta que Jesus não sabia ler nem escrever. Outros tempos. Hoje será difícil vencer Golias com fisgas. A luta será sempre desigual contra uma máquina governativa, apoiada pelos  Prigozhin da comunicação social. Os professores têm de estar unidos mais do que nunca. O governo não pode continuar a dançar o fandango, a simular que negoceia e os sindicatos é que são maus e estão sempre equivocados. A escola pública não merece nada disto. Os professores, isolados ou em pequenos grupos, podem e devem lutar, mas conscientes que, sem uma máquina poderosa que possa olhar, olhos nos olhos, enfrentar o touro de cabeça erguida e lutar de igual para igual, não vencerão. Não vencerão e quem perde é a escola pública. Todos nós.

Essa máquina,  capaz de lutar de igual para igual, só se consegue com professores sindicalizados. Acabaria o fandango e todos ganharíamos. 

6 opiniões sobre “Sindicatos ou dançamos o fandango?

  1. Os ministros da educação, durante e após a sinistra Lurdes Rodrigues, tudo têm feito para silenciar os professores que sempre trabalharam para uma escola para todos e democrática.
    Caminha-se para um ensino público para os pobrezinhos e inenarráveis apoios governamentais a escolas privadas para meninos-família.
    Este não é o futuro da educação que os professores atuais desejam para a escola portuguesa.

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  2. Sindicatos … só se for o STOP… os outros estiveram acomodados desde 2005e por chegamos a onde estamos…porque na verdade às organizações sindicais tornaram-se autofagicas, só se interessam pelo seu umbigo, longe da escola, onde centenas de milhares de professores, viram agravadas as suas condições de trabalho, corte de direitos e aumento de deveres…
    Com a lata de se acharem mais sindicatos que outros, nomeadamente que o STOP, que foi quem tirou os professores do marasmo, excluindo.
    Sindicatos com ética unem os seus sindicalizados, não desunem… porque o que aqui conta não são umbigos pessoais, mas sim unir para vencer a luta.
    Se é o apelo à sindicalização, vamos para quem tem mostrado garra contra ventos e marés…

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    1. Se não fosse tão radical até concordava. Mas, como sempre disse, o sindicato são professores, tu, eu, todos nós. Se eles falham, somos também nós que falhamos.
      Sempre lutei pela união dos professores, com ou sem sindicatos e sempre afirmei que os sindicatos devem ser combatidos lá dentro. Dentro, onde deveriamos estar todos. Todos sindicalizados. Também não particularizei sindicatos. Sou democrata.
      Quanto ao stop… daria muito que falar. Se foram realmente importantes no despertar de muito adormecimento e se mereceram alguma medalha, neste momento retiro-,lhe todos os méritos porque foram o pior exemplo do que pode acontecer no mundo sindical. Servir-se dos professores para os abandonar depois e formar novos pratidos políticos é muito feio, condenável e irresponsável. O governo agradece.

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      1. Boa tarde Como, a partir do seu artigo deduzi e bem que a minha intervenção não iria ser publicada, e respeito às quintinhas de opinião, fiz copy e paste e publiquei por aí… Muito obrigada.

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  3. Como não iria ser publicada? Era o que faltava. Isto não é nenhuma quintinha. Se defendo a liberdade de expressão e opinião para mim, por que razão a negaria a alguém?
    Aqui ha liberdade, democracia e respeito por todos, a favor ou contra.

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