Voltaire, responde a Descartes, depois do terramoto de Lisboa de 1755: “Eu respeito a Deus, mas amo o universo”. Discutiam-se as razões do desastre de que Lisboa fora vítima.
Perante o quase terramoto que a educação tem sofrido desde o primeiro governo de José Sócrates, também me apetece dizer: eu respeito o governo e os ministros, mas amo o universo da escola pública. Parece, dizia, talvez o mesmo deus, que ninguém pode servir a dois senhores. Neste caso, ao governo e à escola pública. Durante todos estes últimos anos, tivemos de optar e, como diria o existencialista Sarte, opção é geradora de angústia.
E foi com muita angústia que muitos professores viveram mais um ano lectivo. Não se trata de retórica, mas de uma realidade não desejável e desaconselhável em todo o mundo económico. Neste ambiente de trabalho, muitas empresas iriam à falência. E a escola, não tendo falido, vai falindo todos os dias.
O senhor presidente disse ter aberto as portas à negociação. De portas abertas têm estado sempre os professores e os resultados estão à vista. Parece que estamos condenados a opções impossíveis, agora com uma grande verdade: os professores não vão desistir da escola pública, doa a quem doer.
Vivam as férias! Voltaremos mais fortes!
