Da vergonha de todos nós. O PÚBLICO revelou hoje exemplos de vida de professores que nos deveriam chocar a todos. A Ana Rita, 50 anos, a viver num quarto a 300 kms de casa, privada dos filhos e dos netos. A Elisabete Rodrigues ou a Carla Rodrigues, a 400 kms, passam por situações semellhantes, todas com mais de 20 de docência. A Elisabete abandonou a profissão depois de lhe terem estado a pagar cerca de 5 euros hora. E não precisamos de ir muito longe: ainda o ano passado foi colocada uma colega na minha escola que só pôde lá ficar porque outra colega lhe emprestou um apartamento que tinha na praia. Casos semelhantes e ainda piores, são uma realidade, aos milhares, por este país fora. Todos, porque acreditaram que um dia, um dia seria melhor. Mas não foi. Para os professores, passam os dias e cada dia é pior que o outro. Há sempre aquele agumento mesquinho e cretino “ah, mas não são só os professores…”
Outras situações, embora menos dramáticas, não deixam de ser chocantes. Tenho um colega que me enviou este testemunho:
“Quando passei para o 3.° Escalão recebi 1500 €. No mês seguinte veio a troika .. só voltei a chegar aos 1500€ este ano, com subsídio de almoço!. Não tenho vaga para o 5.° escalão porque andei sempre a mudar de escola… Comecei a dar aulas em 94. (…) Setembro 2010 a julho 2023… quase 14 anos!!! Contra factos, não há argumentos.” O colega também me enviou copias dos recibos de vencimento e autorizou a publicação. Não publico, mas guardo-os comigo. Nunca se sabe quando poderei ter de os usar.
Pacheco Pereira, também publicou hoje, no PÚBLICO, um artigo que recomendo e que todos os professores deveriam ler. Diz ele, a certa altura:
“O resultado é que se está a tirar poder às pessoas. Quem o faz? O Ministério da Educação, os pais, os directores das escolas e alguns professores, todos eles na sua maioria já “formados” nestes deslumbramentos e medos.”
Dói muito ver a minha classe profissional ser tratada deste modo. Dói muito ver um ministro manipulador e sem vergonha afirmar inverdades para justificar a incompetência e o desprezo pela Educação e por quem nela trabalha.
