O fazedor e o controlador

Pois controle, senhor presidente, controle, porque o que anda por aí a ser feito deixa tudo a desejar. Falo de educação, só falo de educação.

Controle, Senhor Presidente, mas seja coerente e não queira agradar a Capuletos e Montéquios, a Gregos e Troianos, porque para isso já temos o fazedor, o Senhor Primeiro Ministro. Se ainda puder, não finja e nao faça como o fazedor, ele mesmo, que diz que os professores não podem recuperar mais que a restante função pública, do tempo que trabalharam e descontaram e lhes foi usurpado, porque é mentira. É mentira Senhor controlador e o Senhor sabe disso, porque é inteligente. Controle mas não vete para logo desvetar. É que a isto, nós, professores, não chamamos controle, chamamos outra coisa: cumplicidade e traição. O Senhor também quer agradar a Capuletos e Montéquios e não adianta fingir que é bonzinho e que anda de costas voltadas com o fazedor. Para agravar a sua situação, a de controlador, o Senhor foi professor e tem, ou tinha, a obrigação de dar o exemplo. Imagine que todos os professores faziam com os seus alunos o que o Senhor tem feito com os professores. Acha que os alunos iriam gostar? Tenho a certeza que o Senhor nunca fez isso com os seus alunos, ou fez? Pode ser politicamente útil e correto, mas não é humanamente justo nem admissível. Já começou um novo ano escolar e, se o Senhor ama tanto o seu país, já deveria ter feito muito mais. Olhe que os professores não vão para a escola só carregados com livros, como o Senhor sempre deve ter ido. Os professores, além dos livros, levam também às costas carradas de injustiças, pesadas demais para as suas idades e o Senhor nunca se preocupou em aliviar esse peso.

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