Professores felizes

Por princípio, não devemos duvidar das boas intenções das ações ou projetos desenvolvidos na escola. Sigo esse princípio, por respeito.

Vão ser desenvolvidas ações em muitas escolas do país cujo tema é este mesmo, professores felizes. Não, não é irónico. Confesso, para que não restem dúvidas, que já fui, mas não sou mais um professor feliz. Podem chamar-lhe mau feitio, mas não, significa que estou inteiramente disponível para ser feliz na escola. Ninguém pode obrigar ninguém a ser feliz, mas eu não me importo que me obriguem desde que cumpram determinados requisitos, todos eles, muito simples. Talvez até venha a ser o primeiro professor feliz na escola. Então, aos arquitetos do professor feliz numa escola feliz:

Prometem devolver aos professores aqueles anitos, seis e tal, em que trabalhámos, mas que fazem de conta, lá por Lisboa, que não fizemos nada?

Prometem devolver a democracia à escola? Aquela democracia em que os professores podem eleger, por eleição direta, o diretor de uma escola. Aquela democracia em que os coordenadores de departamento são também eleitos pelos seus pares sem indicação prévia do diretor. Aquela democracia que permite tomar decisões nos conselhos pedagogicos de acordo com as opiniões dos professores.

Prometem devolver as avaliações que merecíamos e que não temos, porque inventaram uma coisa chamada quotas? e também, já agora, tornar pública e transparente dando conhecimento a todos os professores das avaliações atribuídas. É que circulam por aí muitas suspeitas que eu nunca percebi bem.

Prometem que conseguem? Podem prometer que vão, pelo menos, lutar por isso e dar o vosso melhor para todos conseguirmos?

Deixo à vossa consideração, mas se não conseguirem, poupem o vosso esforço e continuaremos todos na escola, os mesmos professores, felizes com lágrimas. 

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