O apelo da paz

Ministros, diretores, jornalistas e outros opinadores de relevo, enchem jornais e  TVs, sempre que se fala agora de escola, com o discurso da paz. A paz nas escolas. A minha mãe dizia “será que não lhe descorre?”. Eu adorava quando ela falava assim. Não lhe descorre? Em primeiro lugar, a primeira coisa que deveriam fazer, se querem paz nas escolas, é deixar os professores em paz. Deixem-nos em paz e deixem-nos trabalhar e fazer aquilo que ninguém sabe fazer melhor do que nós. Deixem-nos em paz, é o meu apelo. Depois disso, poderemos então falar da paz nas escolas. Antigamente, todos levavam reguadas dos professores. A régua erguia-se no ar, mão estendida, e estalava na palma com um som seco e áspero. Havia paz nas escolas? Entregávamos parte do nosso corpo para ser sacrificado. Tenho saudades dessas reguadas. Porque deixei de ser aluno e agora sou professor. Deixei de levar reguadas e de oferecer parte do meu corpo à dor, para passar a ser vergastado e oferecer o corpo e a alma às malvadezas impiedosas de alguns governos e de ministros da educação que jamais o deveriam ter sido. Sinto vergonha deste ministro João Costa, que nos vergasta e, às vezes também, daqueles que se deixam vergastar, no corpo e na alma.

Querem genuinamente paz?

Devolvam a democracia usurpada nas escolas. Sem ela, dói muito mais que as reguadas. Devolvam salários em atraso. O tempo trabalhado e esquecido pelo poder, são muitos salários em atraso. Devolvam o respeito pelos professores colocados a centenas de kms de casa. Devolvam o respeito que merecem os professores contratados, porque obrigados a escolher um mal menor, para não se afundarem nas profundezas das medidas mentirosas, enganosas,  manipuladoras e miserabilistas do senhor João Costa.

Paz? Não lhe descorre? Não mintam.

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