A angústia de dizer

Segunda-feira começam as aulas a sério na maior parte das escolas. Faltarem professores a algumas disciplinas, será um mal menor, porque há males bem maiores. 

Gostaria de poder dizer aos milhares de crianças que irão encher as salas de aula que é na escola que se aprende o futuro. Não sei se consigo. Não sei se conseguirei dizer-lhes que aquela sala de aula é o melhor instrumento para anular desigualdades e permitir o regular e livre acesso a uma vida melhor e mais digna. Não sei se conseguirei dizer-lhes que o esforço, a entrega, o empenho e o estudo são a melhor opção para poderem subir alguns degraus na escada social em igualdade de  circunstâncias com outros colegas seus bem mais privilegiados. É muito difícil, porque o que muitos alunos irão encontrar é uma escola que rasura tudo e todos pela mesma medida do facilitismo e da impunidade. Uma escola que trasmite a mensagem, aplicando algumas artimanhas sedutoras e enganadoras, trabalhe o aluno muito, pouco ou nada, o sucesso estará sempre garantido. Todos sabemos que o sucesso garantido não pode formar alunos e cidadãos responsáveis. Este é o método subtil de seduzir alunos e encarregados de educação. Mas uma escola que garante o sucesso não é necessariamente a melhor escola para o futuro dos alunos. Muito feliz e divertida no presente mas semente de muitas angústias no futuro. E já nem falo daqueles alunos com necessidades acrescidas de apoios nas aprendizagens. Para estes, as nossas escolas quase roçam o escândalo e a culpa não é dos diretores ou dos professores. A culpa vai toda para governos demagógicos e ministros incompetentes e retóricos que chamam inclusão àquilo que eu vejo na realidade como discriminação. 

Seja como for, darei o meu melhor e sei que todos os professores o farão, mas com a consciência que os alunos e os encarregados de educação, merecem muito mais. Merecem uma escola pública de qualidade com alunos e professores motivados na luta contra uma sociedade cada vez mais injusta e desigual.

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