Só telemóveis?

Não sei se não será para desviar atenções de outros assuntos não menos urgentes.

Os telemóveis nas escolas são uma epidemia, é verdade. E as crianças carregadas, desnecessariamente, com mochilas cheias de livros, o que é? Não será  a prova de uma insensibilidade imperdoável de todos nós? Não será a prova da nossa hipocrisia coletiva, sempre muito preocupadinhos com as crianças e os alunos e depois não nos importamos que carreguem às costas, o dia todo, pesos desproporcionais e absurdos? Como se não bastasse, ainda lhes pedem que carreguem mais um trambolho descontinuado, o famoso portátil. Já não é um problema de ontem e o senhor ministro João Costa, deixe lá as desarrumações de há  50 anos e arrume o que é urgente no presente. Este senhor sabe muito bem que basta dar ordem às escolas para os manuais ficarem nas salas de aula e assunto resolvido. Não o faz, porquê? E não entregou os portáteis à escola porquê? Os senhores encarregados de educação não sentem também a sua consciência pesada por mandarem para a escola os seus filhos carregados com fardos às costas? Nunca se interrogaram sobre isso?  Somos todos muito bonzinhos, com discursos muito fofinhos, mas, na prática, as crianças que aguentem.

Quanto aos telemóveis, são realmente uma praga e em nada contribuem para melhores aprendizagens ou para uma vida mais saudável na escola. A escola não pode ser uma instituição de entretenimento nem muito menos um salão de jogos ou ainda um gigante escritório de redes sociais. O grande problema da maior parte das escolas é que não têm computadores suficientes instalados. Isto, depois das centenas de milhões gastos, também eles, inutilmente. Então, não me parece que estejam muito empenhadas em querer resolver este assunto e, bem pelo contrário, pedem aos alunos para os usarem nas salas de aula, à falta dos famosos computadores portáteis. A falta de portáteis é, aliás, proporcional ao excesso de telemóveis nas escolas e dentro das salas de aula. Ficaria bem mais feliz se me pudessem provar o contrário. 

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