Escolas sem livros?

Portáteis, telemóveis, manuais digitais, exames digitais, provas digitais…

Comprei a minha primeira câmara digital em 1998. Se imaginasse nessa altura a escola digital que querem hoje, teria deixado a câmara na loja. Parece que os adultos são piores que as crianças quando lhes oferecem um novo brinquedo. Não combato o digital, mas não me deixo deslumbrar por esse brinquedo. Parece que as escolas vivem o deslumbramento do digital e olham para ele como o salvador de todos os males, a começar pelo mau exemplo do Ministro da Educação. Os computadores e os softwares que lá metem dentro, cheguei a acreditar que viriam simplificar o trabalho nas escolas, dos professores e dos alunos. Erro gravíssimo. Hoje, são mais um instrumento de controle, de vaidade e de escravidão do que de simplificação e libertação. E não tinha de ser assim, não tem de ser assim. Com os manuais digitais passa-se algo de semelhante. É o deslumbramento. 

Não tenho competências nem conhecimentos técnicos suficientes para emitir opiniões sérias e responsáveis. Sei o que todos saberão e o que tem sido publicado. Mas estou no terreno, estou nas salas de aula e conheço muita gente com bem menos literacia digital do que eu. Conheço a realidade geral das escolas em Portugal. Como é que se discute manuais digitais se não há computadores para os alunos os lerem nas salas de aula? É só para projetar num quadro branco ou numa tela? E como é que o professor respeita o ritmo de trabalho de cada aluno? É ó stor puxe atrás, ó stor puxe à frente? Ou é para continuar a pedir aos alunos que usem o telemóvel para ler o manual? Ainda não consegui ler uma linha que fosse que explicasse aos professores ou às escolas, ou aos alunos, as vantagens de deixar os manuais em papel para usarem em digital. Não vi e não conheço e também nunca me pediram a opinião. O que não me espanta, porque já estamos habituados a engolir a comidinha toda já muito bem mastigada e é o come e cala. A verdade é que nunca julguei ser possível uma escola sem livros.

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