A banalização da mentira

A banalização da mentiraMentir, é feio, muito feio. E se o mentiroso se chamar Ministro da Educação ou Primeiro Ministro, ainda consegue ser mais feio. Não podemos banalizar a mentira. Já se banaliza tanta coisa e não podemos aceitar que a mentira seja mais uma vítima da banalização.

Hanna Arendt, uma das grandes muheres e pensadoras do século XX, prisioneira num campo de concentração na segunda guerra mundial, foi a que melhor soube falar da banalização do mal. Eu retomo o seu pensamento e repudio a banalização da mentira. Não daquela mentira inócua de que falava num célebre conto, Vergílio Ferreira, mas daquela mentira maldosa, intencional e que pode provocar sérios danos e prejuizos a pessoas terceiras.

Nesta banalização da mentira a  que me refiro, as vítimas são os professores, mas atinge-nos a  todos nós. Atinge as escolas, os alunos, os encarregdos de educação e o país. 

O senhor Primeiro Ministro, disse alto e bom som, na terça-feira, visto e ouvido em todos os canais de tv, que para o próximo ano os professores já poderiam ficar colocados na sua área de residência sem necessidade de andarem com a casa às costas. MENTIRA. A vinculação dinâmica a que se referia, não vai aproximar, antes pelo contrário, vai forçar muitos professores ou a levar a família consigo por esse país fora ou, simplesmente, a desistir da profissão. O Ministro mentiu. Mentiu e sabia que estava a mentir. Também mentiu quando afirmou no mesmo discurso que os primeiros congelamentos foram decretados pelo psd. Mentiu e sabia que estava a mentir. O primeiro congelamento, entre 2005 e 2007, governava o seu colega de partido, José Sócrates. 

Mas não é único, infelizmente não é único. No último domingo à noite, o senhor Marques Mendes, no canal privado SIC, que não sendo televisão pública, paga com os impostos de todos os portugueses, afina pela mesma cartilha, foi o perpetrador da mentira mais descarada e sem vergonha. Mentira inqualificável! Afirmou e mostrou um gráfico, que dizia ser com dados da OCDE, que um professor em Portugal, com 15 anos de serviço, ganhava 41 mil euros. Esse montante, em valores brutos, está só próximo dos poucos professores, cerca de 20%,  que atingem o escalão máximo da carreira profissional e já com 40 anos de serviço. Com 15 anos pode nem chegar aos 20 mil. Se houvesse justiça, estes homens deveriam pagar por estas monstruosas mentiras. Mentiras que ferem e ofendem àqueles que todos os dias percorrem muitos kms para dar o melhor de si pela educação deste país. 

Nota: a comunicação do senhor Marques Mendes, não foi emitida na RTP1, mas no canal privado SIC. As minhas desculpas.

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