Em silêncio ou calados?

Silêncio, não é sinónimo de estar calado

Façamos, nós professores, ou todos os portugueses, ou quem o entender, uma marcha silenciosa. Especialmente os professores, porque só falo de escola. Façamos uma marcha, uma manifestação em silêncio. E paremos, todos juntos, em silêncio, frente à casa da democracia e façamos ouvir o grito do nosso silêncio àqueles que foram eleitos para nos ouvirem.

Quem é que nunca foi a um funeral? Desculpem a comparação, mas não poderia ser mais apropriada. Não impressiona aquele silêncio de tanta gente a marchar em silêncio em direção ao cemitério? A mim impressiona e cala bem fundo. É dos momentos em que consigo estar em maior comunhão com o defunto, com a pessoa que partiu e que adorávamos que continuasse connosco.

Sugiro que façamos essa manifestação silenciosa. Sugiro que façamos o funeral da escola. Sugiro que nos concentremos e sintamos a saudade da escola que partiu e que tanto gostávamos que continuasse viva connosco. Não a escola do passado, acessível só a alguns, com conteúdos, currículos e métodos de trabalho hoje muito discutíveis. Não a escola do passado onde habitava o medo tantas vezes também do professor. Façamos,  em silêncio, o funeral da escola que temos hoje. O funeral da escola que esmaga o professor, engana os alunos e nos envergonha e empobrece a todos. O funeral da escola que assassinou o 25 de abril. O funeral da escola que não promove e atrofia valores.  O funeral da escola antidemocrática onde reina o medo, não do professor, mas o medo sempre presente e latente, de emitir uma opinião e o que é que vai pensar o diretor ou o colega que me vai avaliar. O funeral da escola do amigo em cada esquina. O funeral da escola da impunidade. O funeral da escola que não nos deixa cantar unidos e em uníssono, Grândola Vila Morena, escola da fraternidade.

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