Em 1986 comecei a ganhar o salário pago a um professor em início de atividade docente. 60 contos. O equivalente a 300 euros. Arrendava um apartamento por cerca de 15 contos. O equivalente a 75 euros. Cerca de um quarto do salário.
Não era mau, não era bom, era perfeitamente suportável. Como é hoje? Um professor em início de carreira ganha cerca de 1200 euros. Quatro vezes mais que em 1986. Quanto custa hoje o mesmo apartamento arrendado? 700 euros? 800? 1500? Depende da zona do país. Na mesma região dos 15 contos, custa hoje cerca de 700 euros. Mais de metade do salário de um professor e cerca de 10 vezes mais que em 1986. Entendem agora por que razão faltam professores? Entendem agora o que nos faz sair à rua e marchar em Lisboa? Não é só por isso, mas é muito por isso. E o que diz o ministro? Exatamente estas palavras, sem alterar uma vírgula. “Estamos a trabalhar para encontrar soluções” e, acrescentou, apelando ao “bom senso dos proprietários”. E disse mais baboseiras estúpidas: “os preços da habitação em Lisboa estão impossíveis seja para quem for”. Não, senhor João Costa, pare de mentir e manipular. Não é igual para todos. Será para aqueles que têm salário mínimo, mas o salário de professor em Portugal, em inicio de carreira, é inferior ou idêntico ao salário mínimo espanhol. Não, senhor Ministro João Costa, os proprietários não são os culpados dos baixos salários dos professores e não são a Santa Casa da Misericórdia dos professores.
Que venha outro Ministro ainda mais sinistro que o senhor, mas que venha outro e DEMITA-SE. DEMITA-SE senhor João Costa. O senhor perdeu há muito a noção dos limites, do ridículo e da falta de respeito. O senhor disse que estava a trabalhar “para identificar formas de disponibilização de quartos/apartamentos que possam ser partilhados, com renda acessível”. Portanto, o senhor entende que o professor pode viver em quartos com a família. Partilhar quartos e apartamentos. O senhor quer vietnamizar a classe docente em Portugal. É isso que o senhor pretende para os professores? É isso que o senhor quer para os responsáveis pela educação das crianças e jovens de Portugal? Faça um grande favor ao pais e vá embora.
