Vazio

Há dias em que a escola me deixa vazio. Não é bem como uma greve da fome. É mais uma espécie de greve das palavras e da vontade. Felizmente, a escola ainda tem alunos. São eles que nos motivam, nos sustentam e alimentam essa vontade que agora mora nas ruas da amargura. 

Dia 6 de outubro há greve. Greve a sério. O senhor Ministro da educação apelou aos professores para não fazerem greves e não prejudicar os alunos. O senhor ministro desconhece, porque da escola real pouco sabe, ou nada sabe, que os alunos são a razão do nosso trabalho e não são menos importantes na escola que os filhos são em casa. Muitas vezes, até mais. O senhor ministro desconhece, ou finge desconhecer, que é ele o principal responsável por todos os prejuízos que possam ser provocados aos alunos nas escolas quando os professores manifestam o seu descontentamento com o recurso à greve. O senhor ministro gostaria, talvez, de ver apagado da constituição o direito de qualquer trabalhador à greve. O senhor ministro já deu provas que, se pudesse, eliminaria o direito à greve. Não foi ele que decretou, ou mandou decretar, três vezes, serviços mínimos considerados ilegais pelo Tribunal da Relação? 

Se o senhor Ministro estivesse preocupado com o progresso e o desenvolvimento do país,  se estivesse preocupado com a escola e com os alunos, há muito tempo que estes desacordos com os professores estariam resolvidos, para bem de todos nós. Este Ministro transformou-se no cancro da educação em Portugal.

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