Os telemóveis nas escolas são realmente uma praga. Ontem, às 8.15h da manhã, encontrei junto à entrada de um bloco de salas de aula duas crianças. Deviam ser do quinto ano. Não as conhecia. Uma delas, menina, chorava angustiadamente com o telemóvel bem agarrado à frente dos olhos. A outra criança, rapaz e talvez colega de turma ou só amigo, tentava reconfortá-la. Aquilo chamou-me à atenção e aproximei-me. O choro continuava descontroladamente. Perguntei-lhe o habitual. Se tinha acontecido alguma coisa, se era grave e porque chorava ela daquela maneira, se alguém lhe tinha feito mal. Olhou-me, a suspirar e, aos solavancos, lá foi explicando. Queria mudar o perfil no facebook e uma colega dela não deixava e tinha de mudar o perfil. Foi difícil eu explicar-lhe e tentar serenar aquela angústia de menina de 10 anos que não conseguia mudar o perfil no face. Esta é a escola real e este episódio foi só mais um. Ja assisti a verdadeiras cenas de cyberbullying entre alunos com estas idades.
Ao contrário do que escreveu o senhor José Manuel Silva, num artigo do PÚBLICO há poucos dias. “Use e abuse e vai ver que não se arrepende”. Não, senhor JMS, não é como o senhor diz. Os telemóveis podem ter virtudes nas aprendizagens, mas não podemos confundir conhecimento com pesquisa e informação. Os telemóveis são um enorme fator de perturbação nas escolas e nas salas de aula. Mais do que contribuir para o sucesso do aluno, são uma das causas do enorme défice de atenção e concentração dentro das salas de aula. E são ainda um dos responsáveis, não direi da obesidade, mas do isolamento e solidão de muitos alunos, encostados a uma parede da escola, de telemóvel à frente dos olhos, logo que toca a campainha para o intervalo das aulas. É uma dor de alma contemplar semelhante espetáculo.
