O assunto é importante de mais para ficar calado ou não tomar posição. O senhor Montenegro apresentou uma proposta que é bem-vinda. Pagar as dividas aos professores do tempo em que o PSD também congelou. Agora veio juntar-se a IL, aquele partido que, se alguma vez fosse poder, uma das primeiras medidas que tomaria seria desmantelar a escola pública e entregar tudo aos privados. Os ricos teriam escolas de qualidade e os mais pobres teriam as sobras. Já se passa algo de semelhante com a saúde e não é por acaso que os hospitais, cerca de 22, hoje, correm o risco de já nem abrir serviços de urgência. A saúde é um exemplo muito bom para se entender o que se passa na educação.
Por exemplo: alguém aceitaria ou gostaria de ser tratado por um médico que não fosse médico? Chegar a um hospital e ser tratado e medicado por um estudante de medicina, a meio ou no início da sua formação? Ir a um ortopedista e ser atendido por um otorrino? Ir a um cardiologista e ser tratado por um oftalmologista?
Depois de anos seguidos de facilitismos na avaliação dos alunos, agora o governo está a fazer o mesmo com a avaliação para formação de professores. Ao sucesso garantido dos alunos, absolutamente garantido, surge agora com o sucesso garantido para candidatos a professores que, mesmo assim, são muito poucos face às necessidades. Em vez de resolver o problema com a valorização do ensino, prefere resolver com a desvalorização da formação de professores. Um regresso aos velhos tempos dos regentes do ensino primário quando com a quarta classe era possível ser professor primário. 60 anos depois, foi isto que aprendemos. O admirável mundo novo da inovação nas escolas portuguesas do século XXI.
