A LEI DE MERCADO

É uma lei que pode funcionar muito bem no mercado das sardinhas ou do chicharro. No mercado dos professores também funciona às mil maravilhas, mas só na cabeça de um ministro que há muito ultrapassou os limites do tolerável. Há quem diga que devemos ser tolerantes com os intolerantes, mas renego a Satanás. Se todos pudessem ver na escola, ver claramente visto, aquilo que podem ver nos hospitais, há muito tempo que este ministro estava na rua. 

É loucura atrás de loucura e assim se vai destruindo ou desacreditando um regime democrático. Este senhor quer recrutar professores como se compram ou vendem sardinhas e chicharros no mercado do peixe mais barato. Professores low cost e sem qualquer formação pedagógica para a docência. Como não há professores formados que queiram ser explorados e maltratados, o ministro recruta para as escolas qualquer candidato que tenha terminado o 12° ano e se tenha inscrito no ensino superior. Mas não é só, é ainda pior. Nem sequer respeita as áreas do conhecimento ou da formação de base do candidato a professor. Do género, um ferreiro poder lecionar engenharia mecânica. Ou um carpinteiro poder lecionar EVT. Eu até sei jogar futebol, estou a pensar em mudar para professor de educação física e assim podia escapar a 90 longos minutos numa cela de 4 paredes que tanto funciona como forno no verão como frigorífico no inverno.

Parece brincadeira, mas não é. Isto é muito sério e não há já espaço na cabeça de um professor para tanta indignação e revolta. Todos deveríamos ter a responsabilidade de nos indignarmos e revoltarmos.

Se a ideia é acabar de vez com uma escola pública para todos com alguma qualidade. Se a ideia é exterminar os professores qualificados, então não precisamos de importar os percevejos que devoram muitas escolas francesas. Podemos até exportar. 

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