“Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.”
(excerto do poema, liberdade. F. Pessoa)
Na história da literatura portuguesa, nunca um texto foi levado tão a sério em Portugal.
Dificilmente se fala hoje na escola em estudar. Estudar, está fora da nova linguagem pedagógica e inclusiva. Tal como ensinar. Falar em ensinar, é blasfémia e poucos professores ousam pronunciar estas duas palavras: estudar e ensinar. Também foi colocada no index a palavra testes e avaliar. Sobretudo se não estiverem logo escudadas pela palavra, formativa. Testes formativos e avaliação formativa.
Não me peçam explicações, porque eu não as tenho e, mesmo que as tivesse, valia o mesmo. As únicas pesssoas hoje avaliadas nas escolas são os professores. Os alunos já entram na escola avaliados. Pelo menos a nota positiva está sempre garantida. É a mesma coisa com a disciplina ou a falta dela. Quem tem de obedecer são os professores. Os alunos estão isentos. Não conheço nenhuma escola com uma equipa responsável pela indisciplina dos alunos. Partem do princípio que os únicos indisciplinados são os professores. E para isso estão sempre de serviço alguns coordenadores que desempenham mais o papel de controladores que de coordenadores. A avaliação de professores assim o exige. Há quem lhe chame de kapos, mas eu não vou tão longe. Prefiro entendê-los como oportunistas e bajuladores. A medalha, sob a forma de Muito Bom ou Excelente, está sempre na mira destes professores.
Tudo isto, resultado de medidas medíocres, de má fé e promotoras do surgimento dos instintos mais baixos dos seres humanos.
A maior hipocrisia desde que me conheço há décadas como professor. O que se passa hoje dentro da sala de aula, pouco ou nada importa, desde que o professor se submeta à tirania das aprendizagens centradas no aluno. O desempenho do professor dentro da sala de aula não é motivo nem razão para ser avaliado com a melhor ou a pior avaliação. Sou professor de História e não tenho grandes dúvidas que tudo isto será um dia analisado pelos melhores historiadores. E não pelas melhores razões.
