Lavo daí as minhas mãos

“Estou inocente deste sangue. Lavo as minhas mãos.” Palavras de Pôncio Pilatos. E lavou mesmo e Jesus Cristo foi morto.

Esta passagem bíblica ilustra muito bem a política educativa em Portugal. 

Na semana passada foi chumbada no Parlamento a possibilidade de restringir ou proibir o uso de telemóveis nas escolas. PS e PSD entenderam que não era assunto relevante e chumbaram.

João Costa ainda defendeu que é mais favorável à “promoção de hábitos saudáveis” do que à “proibição”. Deste Ministro, já tudo é possível e nem adianta perder tempo com ele. Há muito que anda por ali à deriva e já só ansiamos o dia da sua partida. Prejuízos ao país, já causou demais.

Na minha opinião, há pelo menos 3 decisões que há muito deveriam ter sido tomadas e, provavelmente, nunca o serão. 1°. Os manuais nas salas de aula. 2°. Acabar de uma vez por todas com o peso das mochilas às costas das crianças. 3°. Proibir o uso de telemóveis nas escolas, pelo menos até aos alunos do 9°ano. Nenhuma delas provoca défice nas contas públicas e a questão dos manuais pouparia centenas de milhões ao contribuinte que não se cansa, e bem, de protestar contra os altos impostos. 

A questão dos telemóveis é o maior problema das escolas? Não. Mas é um problema. Um problema já estudado em muitos países e até pela UNESCO. Todos são unânimes nas restrições ao seu uso nas escolas e muitos países já o proibem e outros a caminho disso. Exceto nós. O governo precisa de mais estudos, tipo o novo aeroporto, e delega tudo na autonomia das escolas. Lava as suas mãos muito bem lavadas. Como se os alunos que frequentam as escolas no Minho ou Algarve fossem diferentes daqueles que frequentam as escolas em Lisboa ou Porto. Ridículo. 

Eu tenho uma teoria. Poderá estar errada mas talvez não muito longe da verdade. O governo sabe muito bem que os cerca de mil milhões gastos em computadores portáteis foram um fracasso e das medidas mais estúpidas alguma vez tomadas. Preferiu emprestá-los aos alunos ou às famílias em vez de equipar as escolas com eles. O governo sabe que os telemóveis fazem falta nas escolas à falta dos computaores que lá deveriam estar e não estão. Não será por isso que se recusa à proibição do seu uso indiscriminado nas escolas?

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