Os médicos estiveram ontem em greve e manifestaram-se em Lisboa. Se não fossem todos um pouco mais jovens que os professores, diria que era uma greve ou uma manifestação da minha classe profissional.
Todos os cidadãos portugueses lhes deveriam agradecer. Foi um verdadeiro ato de cidadania em defesa de um SNS melhor para todos.
Entretanto, comemorou-se ontem o Dia Internacional da Pobreza e ficámos a saber que quase 2 milhões de portugueses são pobres e cerca de 36% não recebem mais que 833 euros mensais. A causa desta pobreza não está no desemprego e o Primeiro Ministro fala na queda do risco de pobreza e no aumento do salário mínimo. O número de trabalhadores precários é de cerca de 700 mil, das maiores percentagens da europa. Muitos professores estão incluídos neste grupo. Tal como estão incluídos no grupo dos pobres, porque um professor contratado ganha pouco mais que o salário mínimo.
É humilhante viver num país como este, subjugados por uma poderosa máquina de propaganda e com políticas escolásticas da esmolinha e da caridadezinha. Humilhante e repugnante.
Não sei se com outro governo seria melhor ou pior, só sei que com este é mau, mau de mais. Não paga o que deve aos professores, não constrói aquilio que promete construir e não reduz o número de pobres em Portugal.
Foi este senhor Primeiro Ministro que afirmou que não é com aumento de salários que se combate a inflação. Só pode falar assim quem vive de barriga cheia. Se não é com aumento de salários, então é com quê? Com esmolas?
Portugueses, não fiquem espantados ou chocados quando virem os professores ou os médicos na rua e em luta. São ainda dos poucos com alguma força e clarividência para poder levantar voz e gritar, ASSIM, NÃO! Juntem-se a eles! Manifestem a vossa solidariedade! Todos lutamos por um Portugal melhor para todos.
