A Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC) publicou ontem os resultados de uma análise das avaliações internas das escolas. Ou seja, as notas que os professores dão aos alunos em cada disciplina no final de uma temporada. Digo temporada e não período, porque umas escolas têm avaliações em três períodos e outros em dois semestres. É mais ou menos de acordo com os gostos de cada escola. (Eu expresso-me em linguagem simples para que ninguém se despiste com mal- entendidos ou equívocos.) É isso mesmo. Numas escolas os alunos têm notas três vezes por ano e noutras têm duas vezes. Não tenho nada contra trimestral ou semestral, só nunca vou entender é a razão dessa diferença em escolas vizinhas umas das outras e tuteladas pelo mesmo Ministério da Educação. Talvez se deva a algum plano oculto de inovação pedagógica. Eu traduzo por “balda”.
A análise refere-se às classificações finais obtidas pelos alunos desde os anos letivos 2011/12 até 2021/22.
E o que é que se conclui? Pouca coisa que eu não tenha já escrito, antes da divulgação destes resultados. A conclusão mais interessante começa pelas disciplinas de português e matemática com uma descida brutal das classificações negativas, desde o 5° até ao 9° ano de escolaridade.
A outra conclusão interessante foram as classificações de 4 e 5 atribuídas aos alunos. Verifica-se uma enorme subida na atribuição destes níveis e, de súbito, parece que os alunos são todos bons ou muito bons. De súbito, talvez por obra do Espírito Santo, nunca em Portugal houve alunos tão bons e escolas tão boas.
Resumindo e explicando em poucas palavras: Portugal revela-se um caso de estudo com o sucesso obtido pelos alunos nos últimos anos. Um brutal sucesso que talvez se deva a um brutal Ministro da Educação. O facilitismo instalou-se, por mais protestos que os professores tragam para as ruas. Não será por acaso que as escolas privadas estão cheias e sem vagas. É o descrédito das avaliações na escolaridade básica da nossa actual escola pública.
