futuro? Qual futuro?

Estranho e contraditório. 

Perguntaram aos alunos no 9° ano de escolaridade, em sessões de orientação profissional, o que é que gostariam de ser no futuro. Que profissão gostariam de ter. As respostas, de acordo com o estudo publicado, são pouco esclarecedoras. Regra geral, por um motivo ou por outro, não sabem. 

Pois não sabem nem podem saber. A fantástica escola lúdica é que deveria responder por eles. Facilitismo, desresponsabilização, infantilização,  desvalorização do trabalho e sucesso garantido, como diabo poderão estes alunos saber o que querem para o seu futuro profissional?

O que não deixa de ser contraditório, de acordo com as fantásticas políticas inovadoras na educação em Portugal e com as aprendizagens centradas nos alunos. Eles é que sabem o quê e como aprender. O professor fica reduzido a uma espécie de boneco ao serviço das brincadeiras dos alunos. E agora ficam espantados porque estes alunos no 9° ano não sabem o que gostavam de fazer no futuro?

Se os psicólogos e orientadores vocacionais perguntassem aos alunos quais os jogos de telemóvel que mais gostam de jogar nos intervalos das aulas ou em casa, as respostas seriam bem convincentes e bem reveladoras da forte literacia lúdica destes alunos do 9° ano. 

Quantas respostas eu já ouvi a tantos alunos quando, informalmente, lhes pergunto o que gostariam de ser no futuro. Youtuber.

O próprio sistema de avaliação de alunos, que virou moda nas escolas em geral, não consegue dar ao aluno uma pista que os ajude a conhecer e compreender quais as suas áreas fortes ou menos fortes. Esta escola que os professores combatem ferozmente é a escola que diz aos alunos que eles são bons em tudo. Esta escola do sucesso administrativo e da felicidade imediata, jamais poderá preparar e ensinar alunos a pensar no seu futuro profissional. 

Se os encarregados de educação levassem os professores mais a sério, povavelmente já teríamos rompido com esta ideologia pedagógica dominante, com tanto de sedutora como de enganadora.

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