Tive um sonho.
Sonhei que não havia escolas para ricos e escolas para pobres. Sonhei que a igualdade de opotunidades não era só um conceito, mas uma realidade. Sonhei que a escola seria uma instituição criada pelos homens para adquirir conhecimento, desenvolver potencialidades e dar-lhes o que eles mais precisavam para uma vida digna e com dignidade.
Malditos sonhos.
Tenho conhecido e trabalhado com tantos alunos que só tiveram o azar de frequentar esta escola portuguesa. E, no entanto, aprendi com a experiência no estrangeiro, que esses alunos de outras nacionalidades não eram mais inteligentes nem mais trabalhadores que os alunos portugueses. O mesmo aprendi em relação aos professores. Não eram e não são melhores do que nós, embora ganhem muito mais e trabalhem bem menos.
Reparemos que, salvo as exceções que sempre existem, os portugueses mais famosos e que conseguiram vencer os limites que as escolas portuguesas lhes impuseram, só conseguiram essa justíssima fama no estrangeiro.
O que é que se passa connosco para ter de ser assim? Fazemos de propósito? O que é que nos falta e onde é que falhamos?
As políticas mais liberais e de direita resolvem essas situações com fortes apoios no setor privado e desprezo pelo ensino público, criando e dando continuidade aos privilégios de algumas elites sociais, económicas e políticas. Praticam uma espécie de fascismo económico e cultural.
E os outros?
Aquelas políticas mais centristas ou de esquerdas moderadas, muito moderadas, apresentam-se como os salvadores e protetores dos mais desprotegidos e menos privilegiados. E o que é que fazem nas escolas? Asneiras! Asneira atrás de asneira.
Resumindo, muito resumido, nem protegem os menos dotados e nem potenciam os mais dotados. Não desenvolvem os talentos dos mais dotados e nem potenciam os dos menos dotados. A doutrina inclusiva reza que todos podem e conseguem fazer tudo e todos podem ser exímios em tudo. Nada mais errado.
Medem tudo pela medida mais baixa.
Hoje, temos nas salas de aula, sobretudo até ao 9°ano, alunos nas diferentes disciplinas, que nem sabem ler ou escrever ou realizar tarefas simples de matemática, juntos com outros alunos com enormíssimas potencialidades sem espaço para as poderem desenvolver.
De certeza que é isto que todos queremos?
