Se isto é de gente

Ontem, fiquei chocado enquanto ouvia uma funcionária de uma escola a desabafar com outra. Trabalhadora há mais de 30 anos, sem nunca ter deixado de receber o salário mínimo. Na verdade, uma vez deixou de receber o salário mínimo.

Foi em 2021, quando este governo eclesiástico e amigo da esmola, decidiu aumentar 10 euros mais que o salário mínimo. O salário ilíquido era de 730 euros e não pagava IRS. Com o aumento dos 10 euros, deixou de estar indexada ao salário mínimo e começou a pagar IRS. 

A esmola dos 10 euros de aumento, transformou-se numa perda mensal de 28 euros. A funcionária, que já não recebia pelo salário mínimo, passou a receber a baixo do salário mínimo. 

Para um professor, isto já não deveria chocar tanto, porque já estamos habituados a coisas do género e às vezes piores. O famoso acelarador de carreiras dos docentes é talvez ainda mais escandaloso. Porque não acelera nada para a maoiria dos professores e cria discriminações inaceitáveis e provocadoras.

Dia 27, temos mais um dia de greve. Greve de toda a função pública. Um dia de greve de um trabalhador provoca duras privações no orçamento mensal de uma família. Um dia não pago e com baixíssimos salários é só para gente corajosa. Aquela funcionária jurou nunca mais deixar de fazer greve.

Tenho vergonha de ser português com governos que tratam com tanta desonestidade e desconsideração um trabalhador.

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