A equidade e outros argumentos parvos.

Os médicos ainda não chegaram a acordo, mas têm já garantidos 30% de aumento salarial, faseado, mas com 10% garantidos à cabeça. Os outros 20% seguem em breve.

Nada contra. Sempre achei que os médicos ganhavam mal. Ser médico não é fácil. Mas professor também não.

Gostaria muito de ver os presidentes, os ministros, os encarregado de educação e muitos portugueses a começarem às 8.30h com uma turma de 28 alunos, 90 minutos de aula, parar 10 ou 15 minutos e recomeçar com outra turma de 28 alunos, outros 90 minutos de aula, mais 10 minutos de intervalo, e outra turma, e outra… 100 alunos numa manhã. Todos diferentes. O professor não pode discriminar, ensino diferenciado,  atento a todos, a escola é inclusiva. Um esqueceu o livro, o outro o estojo, o outro entra todo molhado, outro dói-lhe a barriga, outro dormiu mal, outro não tomou o pequeno almoço, tem fome, outro entra na sala aos berros e aos saltos porque dizem que é hiperativo, outro com síndrome de Tourette, e muitos outros com outros sindromes, síndrome de Asperger e muitos outros com outros transtornos. 

Exagero? Vão à escola e verifiquem com os vossos próprios olhos.

É fácil ser professor, não é? Uns preguiçosos que só pensam em greves, não é? À tarde ainda há mais. Podemos ter 7 ou 8 turmas num dia. Fácil, não é?

Acabou o dia? Não, não acabou.

Temos dias com mais 3 horas de formação, em presença ou frente a um monitor, no zoom. E nem ouso descrever o dia a dia de um diretor de turma.

Não se trata nem de queixas nem de lamúrias. Somos professores e estamos habituados.

O que não estamos habituados e não aceitamos é que não nos paguem o que nos devem, com o argumento de não haver equidade na função pública e de que seria o maior rombo na história de todos os orçamentos desde que há orçamentos em Portugal. 

Pagar essa dívida dos 6 anos, 6 meses e 23 dias, representaria um aumento salarial para cada professor de cerca de 3%. Mas o orçamento não suporta e não seria justo para a restante função pública. Exceto os médicos, não é verdade? 30% não belisca nem o orçamento  nem a equidade, não é verdade?

Façam política à vossa maneira, mas desistam de tratar os professores como estúpidos. 

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