Saudades? Pena? Lamentar?

Não.  

Não tenho saudades, não tenho pena e não lamento nada. O governo estourou por culpa própria. Não foram os professores nem os médicos que o derrubaram. Se são sérios ou se não são sérios, cabe aos tribunais julgar. Só tenho uma certeza: o Ministro João Costa poderia ser substituido por um qualquer Diretor-Geral. Limitou-se a cumprir ordens do Primeiro Ministro e do Ministro das Finanças. Para isso, não precisamos de um Ministro da Educação.  

As coisas têm que ser vistas como elas são na realidade e não adiantam as palavras bonitas ou esperanças falsas. Apesar da opinião pública estar maioritariamente ao lado dos professores e entenderem a sua luta, alimento a opinião de que os portugueses ainda não acordaram para a tragédia da educação. Todas as medidas tomadas pelo Ministro João Costa e pelo governo demissionário, no que respeita à Educação e às escolas, foram uma verdadeira tragédia. Não tenho qualquer dúvida que o país, todos nós, o iremos pagar muito caro. 

Gostamos muito de nos queixar de tudo e mais alguma coisa, mas raramente encontramos disponibilidade para compreender e conhecer a verdadeira razão dos problemas. Por outro lado, os portugueses têm o terrível hábito de querer tudo de repente e, de preferência, sem dar muito trabalho. Lembra-me um fabuloso livro de Aquilino Ribeiro, “Batalha sem fim” onde ele demonstra exatamente esta tendência nacional. Enriquecer com um hipotético tesouro escondido ou, nos tempos mais modernos, enriquecer com a ilusão da raspadinha ou do euromilhões.  

A verdadeira e sustentada riqueza de um país reside exclusivamente nos elevados padrões de conhecimento e da entrega total ao estudo sério. Não há outro caminho. E a instituição responsável pela concretização dessa realidade é a escola pública. Não há milagres. E o que é que fizeram este governo e o Ministro da Educação? Exatamente o contrário. Não estou a falar de reivindicações salariais de todos quantos trabalham nas escolas. Falo da tragédia da desvalorização da instituição escola. 

Não invento números e não recorro à demagogia. Gastaram-se, nestes últimos anos, centenas de milhões de euros, ou mais de um milhar de milhão, em nome da Escola e as escolas estão praticamente vazias. Os professores, na maioria das escolas, continuam a trabalhar em condições muito precárias com salas de aula que são a vergonha de todos nós. Estamos, no século XXI, a oferecer aos alunos as mesmas ou piores condições de trabalho que em todo o século XX. 

Foi assim que este governo deixou a escola.

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