Pois há, ainda há escolas. O mundo não anda todo tão doido como muitas vezes nos querem meter na cabeça. Ainda há escolas e ainda há países que respeitam a escola. Eu conheço escolas fora de Portugal, porque trabalhei nelas muitos anos, onde todos são respeitados. A própria instituição escola, os alunos, os professores, os funcionários, os encarregdos de educação, todos.
No reino de Portugal, onde reina uma aparente e hipócrita harmonia, pensar numa escola com respeito é impensável. Em menos de 20 anos, conseguiram destruir o que tínhamos de melhor: A democracia e os trabalhadores. Desde 2007 até hoje, só o terramoto de 1 de novembro de 1755 em Lisboa se pode assemelhar. Foi um verdadeiro terramoto na educação.
Quando as coisas são más, mas muito más, ao nível do incompreensivel, a nossa tendência natural é não acreditar. Isso aconteceu com os campos de concentração que os alemães construiram na década de 30 e 40 do século passado. Era incompreensivel a existência daquelas crueldades e os aliados não acreditaram. O resultado, todos conhecemos.
Apesar das maiores barbaridades se situarem ao nivel da organização, a avaliação de professores e alunos, por exemplo, não posso deixar de pensar na imensa pobreza das nossas escolas e das nossas salas de aula. Imensa e vergonhosa pobreza!
Nos anos 80, um grande amigo meu e da família, criou com os seus proprios meios, uma escola para ensinar inglês, com uma qualidade que ainda hoje nenhuma escola pública se pode comparar. Na organização e nos meios.
Temos salas de aula que nos deveriam envergonhar e fazer corar de vergonha a todos. Se o problema fosse o dinheiro, todos entendiamos, mas não é. O problema está em todos nós que nunca soubemos valorizar a importância e o valor do conhecimento, da ciência e das artes. Não soubemos e nem queremos saber.
Gostava que um dia, breve, tivéssemos todos escolas com salas de aula do século XXI.
