O destruidor

Aprendi com os filósofos, pensadores Gregos da antiguidade, que todo o nosso discurso é político e todos somos políticos. Aprendi que não podemos exigir a perfeição, porque a perfeição é a mãe de muitos males. Somos todos imperfeitos e é desta imperfeição que nasce a tolerância.

Mas, eu intolerante me confesso quando oiço ou leio os discursos do Ministro João Costa. Um discurso de político hipócrita, vazio e falso, todo ele ao contrário daquilo a que obriga os professores nas escolas. Um discurso que o deveria envergonhar a ele próprio. 

Foi em Óbidos, na semana de 15 de outubro, e publicado no portal SAPO, que esse homem abriu a boca para dizer que é a “confusão entre ativismo e vandalismo, porque o ataque à arte é o ataque à palavra, o ataque à expressão e o ataque à liberdade criativa.” Acrescenta depois que essa confusão acontece porque as pessoas se recusam “o tempo do aprofundamento, o tempo do debate, o tempo da complexidade, o tempo que está inerentemente associado à leitura.”

Duras palavras para um professor ouvir. Muitos dos que se encontravam na sala, abandonaram em protesto. 

Foi este homem que trouxe para as escolas a bandalheira e a total falta de disciplina para além daquela que os professores vão tentando impor. Hoje, nas escolas, o poder é dos alunos. O aluno fez asneira, não respeitou os colegas, gritou, bateu, perturbou, pintou o diabo… a culpa é do professor. O professor não soube motivar o aluno, o professor não soube lidar com a situação. Foi aquele homem que corrompeu a escola e introduziu a impunidade. 

Os professores conhecem as leis, mas são muito raros aqueles que em situações de conflitos ousam pedir ajuda à Direção das escolas. Se entram mal nos gabinetes, saem de lá bem piores.

Falar do ataque à palavra, à expressão ou à liberdade criativa, provoca náuseas. Foi este homem que corrompeu a escola com a ditadura pedagógica, com a ausência de liberdade de expressão ou de criação. Devem contar-se pelos dedos de uma só mão quem ousa hoje abrir a boca na escola para manifestar qualquer opinião que não esteja de acordo com a cartilha que aquele homem envia para as escolas.

Ironia das ironias, ainda falou em leitura. Vindo de um homem que não se cansa de dizer que quer tudo digital e afasta os livros das escolas, é francamente intolerável. Como é intolerável falar de aprofundamento depois de ter reduzido todas as aprendizagens ao mínimo dos mínimos e a que ele obrigou a chamar, aprendizagens essenciais.

Um homem abominável que usurpou aos professores o direito a um ambiente saudável de trabalho. Usurpou aos alunos uma escola pública de qualidade. Um homem que ficará sempre conhecido como o destruidor da democracia nas escolas.

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