Alguns feriados só chateiam

Portugal é um país estranho com governos também muito estranhos. Só mesmo um português para entender outro português. Mas eu não entendo.

Ontem,1de dezembro, foi feriado nacional. Um feriado restaurado para comemorar, exatamente, a restauração da independência nacional usurpada pelos irmãos espanhóis em 1580. Depois de 60 anos de dependência externa, readquirimos a nossa soberania e tornámo-nos donos do nosso destino comum.

Curiosamente, em 2012, um governo de direita liberal,  psd/cds, cristão e defensor dos valores nacionais e nacionalistas, em nome de valores que falam mais alto, decidiu retirar esse feriado aos portugueses. Precisamente o feriado que comemora o dia da independência nacional, valor tão caro aos governos e partidos de direita. Tanto assim que, também ontem, o partido Chega foi para Olivença reivindicar essa terrinha para a soberania nacional. Coisa que nenhum Olivense quer.

Ora, em 2016, um outro governo, laico e republicano e pouco dado a nacionalismos, decide reverter esse dia para comemorar a soberania nacional e voltar a considerá-lo feriado nacional. O mesmo aconteceu com o dia 1 de novembro, dia de todos os santos. Quer dizer, os governos de direita, cristãos e conservadores, parece que não gostam muito dos valores cristãos, conservadores e símbolos da identidade e das tradições portuguesas. É por isso que eu não entendo e não tenho qualquer intenção em fazer propaganda política. 

É que na Educação passa-se algo muito semelhante. Tão semelhante que continuo a achar tudo muito estranho e sem entender. O actual governo diz defender a escola pública e lutar pela igualdade de oportunidades e pela inclusão. Na realidade é ao contrário. Ou lutou tanto que a única coisa que conseguiu foi encher as escolas privadas de alunos, porque já só acredita na escola pública quem não conhece ou não quer conhecer o estado a que chegou. Se ainda restam dúvidas, olhem para o estado da saúde. Na defesa do SNS parece que nunca houve tanto médico a fugir para os hospitais privados.

Agora, já só me resta tentar perceber, por que razão o governo demissionário, de súbito, arranjou tanto dinheiro para aumentos de salário para toda a função pública, e insiste em não pagar o que deve dos congelamentos aos professores. 

Talvez o dia 1 de dezembro de 1640 tenha sido um erro de perceção dos valores nacionais e melhor seria voltarmos todos a 25 de agosto de 1580.

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