Quem paga o quê?

Quando oiço certas pessoas a falar do trabalho, do seu trabalho no sector pivado, e me atiram à cara que são eles que pagam o meu salário com os seus impostos, tenho de ser franco e honesto: fico furioso.

Às vezes apetece-me ser mal educado e perguntar, à queima roupa:

– Então, ó seu estúpido, e quem é que te pagou os teus estudos para poderes desempenhar a profissão que tens e receberes o salário que recebes agora?

Nunca o fiz, mas vontade também nunca me faltou.

Porque, criou-se em Portugal a vergonhosa ideia que quem trabalha no sector público são todos uma cambada de malandros e de indigentes que vivem à custa de quem trabalha no sector privado. Revoltante. Muitas vezes, não só por aquilo que insinuam, mas pela desastrosa ignorância que manifestam.

Estas pessoas, ignorantes e de má fé, são as mesmas que protestam por tudo e por nada se, ai jesus, o meu filho não comeu bem na escola, o meu filho está na pior turma da escola, os professores não são atenciosos com o meu filho…  um sem parar de reclamações. Também são as mesmas que protestam sempre que usam um serviço público e têm de esperar ou não são atentidas no mesmo segundo em que entram e com um chazinho e bolachinhas no tabuleiro à sua espera.

Ontem, ainda respondi por que diabo mandava os filhos à escola e à escola pública. E também perguntei quanto é que pagava pelo seu filho para  frequentar a escola. Ou quanto é que pagou no hospital, aos médicos, enfermeiros e outros assistentes quando lhe nasceram os filhos.

Não sou dos que melhor conhecem o mundo, mas sei que há quem conheça bem menos do que eu e eu não conheço outro país europeu onde se faça esta discriminação na cabeça das pessoas entre serviços públicos e serviços privados. Esta triste alucinação tem um pai e chama-se José Sócrates. Dividiu para reinar e ganhar, pôr uns contra os outros, manha muito comum em certos políticos. 

Quanto ao melhor ou ao pior, público ou privado, era tema para outra conversa, mas só de pensar nisso fico cansado e desiludido.

Há dias entrei numa coisa que tinha escrito CTT em letras muito grandes. Queria levantar uma encomenda. Disseram-me que já não era ali. Pedi dois selos para não dar o tempo por mal empregue. Também não havia e não era ali.

A propósito, ainda existem CORREIOS em Portugal? 

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