BALANÇO. parte 1. Encarregados de educação.

Senhores encarregados de educação: Querem que os vossos educandos frequentem uma escola onde, para além de aprenderem alguma coisa dos livros, também aprendam a ser cidadãos educados e responsáveis? Querem? Querem mesmo? Então, mexam-se e não fiquem de braços cruzados à espera que tudo caia do céu. 

Os professores já fazem demais e não nos exijam a nós aquilo que já damos em excesso: tempo, tolerância, paciência, coragem, empenhamento e sofrimento, responsabilidade, carinho e amor. Não nos podem pedir mais. E se suspeitam destas palavras, vão até  à escola e passem lá um dia ou dois e verifiquem com os vossos próprios olhos.

Peçam antes àqueles que nos últimos 10 ou 15 anos trabalharam intensamente para que os vossos educandos frequentassem uma escola onde reina a impunidade e desresponsabilização quando os actos praticados não cumprem o respeito pelos outros. Peçam e exijam também àqueles que cumprem ordens de Lisboa sem nunca sequer mostrar o mínimo de desacordo ou de sentido crítico. E, nunca se esqueçam: hoje,  o seu educando foi o agressor e não sofreu consequências, mas amanhã pode ser ele a vítima e eu tenho a certeza que o senhor encarregado de educação não se vai sentir muito feliz porque o agressor não sofreu consequências. 

Ontem, uma assistente operacional, contou-me,  ou desabafou comigo, o caso de um aluno do sétimo ano de escolaridade que a ofendeu e desrespeitou de tal maneira que, na minha opinião, esse aluno não mereceria menos de um mês de proibição para voltar a entrar para o lado de dentro dos portões da escola. Casos semelhates, são mais que frequentes. Ainda aconselhei a apresentar queixa. Inibo-me de reproduzir a resposta.

Foi assim que fizeram a escola. Sempre com a luta e o desacordo dos professores.

Sozinhos, sabemos que não venceremos. Ninguém vence sozinho. Temos o apoio da maioria dos encarregados de educação, mas insuficiente. Os apoios têm de se traduzir em actos. Pelos vossos educandos.

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