A INDISCIPLINA.
Sim, a culpa é de quem governa. Mas, também é minha, também é nossa. De todos nós. Todos somos responsáveis.
No entanto, não podemos confundir o patrão com o empregado ou o legislador com o alvo da legislação. Hoje, o controle da indisciplina na escola não funciona. E, se não funciona, é porque não estamos a educar. Não estamos a ser adultos. Não estamos a ser escola.
Responsabilizo o actual e todos os anteriores governos, porque o problema não nasceu hoje nem ontem. Que a Direção das escolas poderia fazer mais, é verdade, mas já se instalou a ideia que temos de desconfiar dos professores. Os professores, alvo de um impiedoso ataque com sede no Ministério da Educação, apoiados por S. Bento, não são pessoas fiáveis e têm de provar, comprovar e justificar cada passo, cada palavra, cada decisão. É mais fácil, hoje, nas nossas escolas, confiar num aluno do que num professor.
Este estado de coisas serve interesses muito próprios e muito específicos: Descredibilizar os professores, diminui-los, dividi-los, humilhá-los. Retirar-lhe o poder de opinião, o poder de decisão, o poder e a vontade de manifestação. A possibilidade de poder dizer não e ter de vergar a espinha perante poderes discricionários, acéfalos e antidemocráticos.
Nestes últimos anos, o poder do Estado, construiu um arsenal de ferramentas adminstrativas eficazes na instalação do medo nas escolas. Medo nos professores. Os professores sentem medo. Muitos professores sentem medo. Professores com medos, não impõe respeito. Os alunos sabem disso e até sabem que, se violarem ou tentarem violar com uma vassoura um rapaz de 15 anos, o máximo que lhes poderá acontecer na escola serão uns 4 dias de suspensão. Exatamente o que aconteceu há poucos dias numa escola.
A escola, hoje, a nossa escola, paga por todos nós, não está a cumprir a função de formar cidadãos instruídos e responsáveis. Bem pelo contrário. Países mais evoluídos que nós já o reconheceram e admitiram e já estão a realizar o percurso inverso.
Por aqui, parece que continuamos cegos, ou desviamos o olhar, e mantemos a teimosia ascendente.
É esta a herança que queremos deixar às actuais e futuras gerações?
