BALANÇO. parte 3

A inclusão 

Quando regressei a Portugal em 2009, 12 anos depois de trabalhar em escolas no estrangeiro, fiquei estupefacto quando todos falavam e chamavam de inclusão a uma coisa que ainda hoje não sei o que pretendem insinuar com isso.

Fui consultar o dicionário e não obtive grande ajuda.

Inclusão é um conceito que não se usava quando eu era aluno na escola. E fui aluno quase 20 anos. Faz parte da inovação social, pedagógica e retórica da nova escola pós socrática. Se estes governos foram francamente bons e inteligentes, foi na conceção de uma  maquinaria diabólica capaz de produzir em série palavras bonitas para ocultar realidades feias. Mereciam o prémio Nobel das palavras mais bonitas que escondem coisas que ninguém gosta de ver.

Ainda hoje não consigo compreender o que significa Inclusão na nova escola que diz promover a igualdade de oportunidades para todos os alunos. Nao consigo compreender a Inclusão, porque não pode haver Inclusão sem equidade. Aplicar os mesmos recursos a alunos diferentes, pode ser tudo, exceto Inclusão. Facilitismo  na aprendizagem e validar o sucesso obtido através da desvalorização da avaliação, pode ser tudo, exceto Inclusão. Legislar e publicar palavras bonitas para justificar aquilo que ninguém faz, nem pode fazer, mas que deveria poder fazer, pode ser tudo, mas não é inclusão. 

Burocratizar com papeladas, fichas e grelhas e pedir aos professores que preencham para ficar no processo do aluno e demonstrar que as escolas já esgotaram as  estratégias e os recursos possíveis, pode parecer bonito, mas não significa mais que um imenso festival de papel pintado com as cores mais maravilhosas da propaganda. 

Os professores não se reveem nestes padrões de educação. Os professores são pessoas sérias e responsáveis, pouco dadas a folclores e retóricas demagógicas. Os professores querem lutar pela verdadeira inclusão do aluno fornecendo-lhes e facilitando-lhes todas as ferramentas do conhecimento que poderão fazer dos seus alunos homems e mulheres com sucesso no futuro.

Não queremos trabalhar para mostrar, queremos uma escola para formar.

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