O desmantelamento

Discutia-se na escola o desmantelamento. Alguém observou que perdemos o que tínhamos, sem ganharmos nada de novo. Se divergimos na economia ou no poder de compra, comparativamente aos países europeus mais desenvolvidos, na Educação temos divergido muito mais.

Qual desmantelamento? O desmantelamento das salas de aula. Só para começar, porque desmantelámos muito mais no mundo da Educação. O que é que perdemos e o que é que não ganhámos?

Perdemos equipamentos e ganhámos salas de aula nuas. Ou salas com um computador que funciona de vez em quando. Não, os professores não podem fazer mais. Milagres, só para quem acreditar neles. É uma dor de cabeça todos os dias. 

Há escolas que, nunca tendo tido grandes equipamentos de luxo, tinham o necessário em materiais e ferramentas para cumprir com as tarefas da disciplina de Trabalhos Manuais. Muitas ainda têm os fornos onde se cozia a cerâmica, arrumados e esquecidos numa qualquer saleta de arrumações. Fornos e muitos outros equipamentos e materiais que já ninguém usa e nem vai usar. E o que é que ganhámos? Ganhámos uma disciplina nova, ou duas, ou três, ninguém sabe muito bem, porque ora se define por EV ora por ET e ora por EVT. Uma confusão e os materiais à disposição dos alunos são pouco mais que nada. Uma pobreza de deixar muito pobre de boca aberta.

As aulas da disciplina de Ciências do segundo e terceiro ciclos funcionam no mesmo ambiente. Posso falar só da escola onde trabalho, mas eu não falo só da escola onde trabalho. Falo das nossas escolas. 

Microscópios para os alunos experimentar, são uma miragem. Gás nas salas de aula para realizar experiências, outra miragem. Outros equipamentos necessários para as aprendizagens em Ciências… ainda existem alguns tubos de ensaio antigos… os professores metem as mãos à cabeça e perguntam-se ” ensinar Ciências assm, como?” Pobres professores, pobres alunos, pobres escolas. 

Se acreditam que estamos a criar um país de futuro, esqueçam. Se acreditam que somos um país de futuro, esqueçam. E sou por natureza otimista.

Com estas escolas, jamais os nossos alunos poderão competir em igualdade de oportunidades com os seus colegas europeus onde os cidadãos ainda valorizam a instituição Escola Pública. 

Somos excelentes na inovação no papel. Somos excelentes em discursos lindos e demagogicamente inovadores. Somos os melhores a justificar aquilo que não temos a coragem necessária para assumir que não fazemos no dia a dia real das escolas. 

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