O desmantelamento. (parte 2)

Não foram só as salas de aula que foram desmanteladas. É confrangedor entrar na maior parte delas.

Apesar de tudo, penso que o maior desmantelamento não terá ocorrido nas salas de aula. É inteiramente verdade que as nossas escolas não apresentam o mínimo de condições físicas e materiais capazes de potenciar competências de tantos alunos inteligentes e cumpridores que por lá passam. Sou testemunho vivo e direto.

O maior desmantelamento foi roubar a escola a quem nela trabalha. Não temos escolas se não tivermos alunos, mas não é menos verdade que não temos escolas se não tivermos professores. E roubaram tanto que hoje os professores não confiam na escola e não querem ser professores.

Milhares de alunos sem aulas a alguma disciplina por falta de professor. Não é diferente de um hospital sem médicos, só que não provoca tanto alarme. Ninguém morre por falta de um professor.

Esse assalto aos trabalhadores nas escolas, aos professores, foi de tamanha grandeza que se podem contar pelos dedos das mãos os que nela trabalham com motivação. Em cada escola, centro, norte ou sul, o desânimo apoderou-se da maioria. Custa entrar na escola. Eu, e muitos colegas por esse país fora, só conseguem alguma motivação e algum ânimo quando já estão dentro da sala de aula. Os alunos são os únicos inocentes.

Gratuitamente e com métodos irracionais, sobretudo nas duas últimas décadas e sempre em crescendo, os professores foram o alvo apetecido por pessoas que passaram pelo Ministério da Educação e que apresentaram desordens de natureza tão estranha, que é difícil compreender e impossível de aceitar.

 Trabalhadores motivados produzem mais e melhor. E não se conseguem trabalhadores motivados se eles sentirem continuamente nas costas as chicotdas que não param de chover de Lisboa e também de muitos diretores que começaram a tomar o gosto pelo poder meio fascista. É estranho escolas fascistas depois do 25 de abril? Talvez seja exagero, mas exagero já não é afirmar que democratas é que não são. 

Desmantelaram a democracia nas escolas. Das maiores vergonhas da nossa democracia. Instalaram poderes que humilham. O principal  será o da avaliação dos professores. Mais que humilhar, esvazia de dignidade a pouca dignidade que pudesse resistir. Isto já não é uma questão política. É um caso de polícia. Semelhante a métodos mafiosos introduzidos por ministros e… apoiados sempre por alguém. 

Os professores querem a escola de volta e lavada das nódoas impregnadas por sucessivos ministros e governos. 

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