Na aldeia que me viu nascer e na freguesia onde me registaram, emigraram mais do que aqueles que ficaram. Estávamos na década de 60. A aldeia ficou semi deserta. Com a democratização da Educação e com o dinheiro cambiado nos bancos portugueses, muitos filhos de emigrantes estudaram em Portugal e tiveram sucesso. A aldeia manteve-se viva.
Porquê lembrar a emigração da minha aldeia ou da minha freguesia? O fenómeno foi nacional. Mas, lembro, porque os tempos mudaram muito e temos agora o fenómeno da imigração. Sem nunca deixarmos de emigrar e de resolver o grave problema da emigração, temos agora pela frente o desafio da imigração.
E qual deles será o maior problema? O da emigração ou o da imigração? Já ouvi e já li um pouco de tudo. Para a extrema direita, não há dúvidas: o problema são os imigrantes. Com bastante mágoa oiço muitas pessoas muito preocupadas e assustadas com os imigrantes. Mais do que com os emigrantes. Assustar pessoas, gera votos e deputados e muitos lucros associados. E é fácil. É muito fácil assustar pessoas.
Tenho uma opinião diferente. O maior problema em Portugal é, sem qualquer dúvida, o da emigração. Ao contrário do que ouvimos nos políticos, sobretudo os mais à direita, a emigração dá ao nosso país mais prejuizos do que lucros. Ao contrário do que dizem os políticos, a imigração dá mais lucro do que a emigração. Os números existem mas não há interesse em divulgá-los. A comunicação social também não mostra muito interesse no assunto. Têm outros interesses.
Os argumentos para comprovar o que afirmei são muitos. Imensos. Apresento só um.
Cada aluno que frequenta as nossas escolas no ensino básico, custa em média 5.500 euros por ano. E são cerca de 1.3 milhões. É dinheiro dos contribuintes, descontado do salário de quem trabalha. No ensino superior, frequentado por cerca de 400 mil alunos, o preço pela formação de cada estudante varia de curso para curso, mas chega a atingir centenas de milhares de euros, caso da medicina.
Todo este esforço financeiro, pago com o suor do nosso trabalho e à custa do nosso sacrifício coletivo é posto à disposição do desenvolvimento dos países ricos que, assim, ficam cada vez mais ricos e nós cada vez mais pobres.
Somos nós, os mais pobres, a financiar a formação de mão de obra qualificada para desenvolver os países mais ricos.
Não é por acaso que os países mais ricos e desenvolvidos são aqueles que recebem imigrantes e não aqueles que enviam emigrantes.
