Em Portugal, nunca fomos muito dados a detalhes. Na educação muito menos e, na atual política de Educação, muito menos ainda. Menosprezamos o essencial e privilegiamos o acessório. Desvalorizamos o que realmente tem valor e valorizamos aquilo que o não tem ou que se revela duvidoso.
Na política, na habitação, na religião, na saúde e até na economia, menosprezamos os detalhes, muitas vezes, para não valorizar nada, absolutamente nada. É o caso da Educação. Por questões económicas? Não, até porque acabamos por gastar demais sem gozarmos desse esforço financeiro.
Valorizamos a escola digital, mas onde estão os computadores e as aulas para aprender a trabalhar com eles?
Valorizamos os manuais digitais, mas onde estão as escolas preparadas para cada aluno poder ter acesso informático?
Valorizamos os professores de Educação Especial para apoio a alunos com fragilidades várias, mas onde estão esses técnicos em número suficiente?
Valorizamos os professores, mas já ninguém, ou muito poucos, querem ser professores.
Valorizamos a escola feliz para os alunos, mas permitimos que vão para a escola sobrecarregados com mochilas tão pesadas que mais parecem militares a caminho da guerra. Crianças felizes, mas com aulas de 90 minutos. Alunos felizes, mas sem conforto nas salas de aula e condições de trabalho que o permitam.
Valorizamos os alunos com necessidades educativas especiais, mas, para os ajudar, criamos Decretos-Lei e muita literatura e grelhas e papeladas… e, quem os ajuda, de facto?
Valorizamos o sucesso, e bem, mas administrativamente. Tudo a fingir. Valorizamos alunos responsáveis, mas a política de Educação é desresponsabilizá-los através do facilitismo e da impunidade.
Valorizamos e erguemos a bandeira da inclusão, mas a realidade é outra. Faltam os detalhes, os preciosos detalhes. Discriminamos. A inclusão é uma ficção. Talvez das maiores mentiras na nossa Educação. Não pode haver Inclusão sem responsabilização. Sem incentivos ao trabalho e ao esforço. Sem as ferramentas do conhecimento nenhum aluno poderá beneficiar da inclusão em circunstâncias de igualdade e equidade.
O que fazemos e aquilo que a realidade demonstra é a inclusão administrativa.
Apesar de tudo, ainda temos alguns bons ou excelentes professores. Alguns bons ou excelentes alunos. Nem tudo é mau. Mas não os valorizamos. Talvez seja só mais um detalhe.
