Há sangue na escola

Que alguma comunicação social sobreviva à custa do sangue alheio derramado em praça pública, já é coisa que pouco ou nada me espante. Que um encarregado de educação da escola Guilherme Stephens, da Marinha Grande, o faça, já me deixa um pouco mais perplexo e, neste caso, seriamente indignado.

Os professores já estão habituados à ingratidão e, muitas vezes, de onde menos se espera. Uma encarregada de educação, de um aluno que eu conheço bastante bem, chamou a comunicação social e acusou um professor de ter agredido o seu educando. Além disso, exibiu fotos nos jornais e no instagram onde são visíveis algumas marcas dessa agressão pelo professor. Entretanto, também já deu uma entrevista à TVI frente à escola. 

Esta encarregada de educação, parece que também gosta de sangue e desconhece que não é assim que se defende a dignidade e o bom nome de uma criança. A comunicação social também não, porque publicou a versão de uma mãe sem ter ouvido a versão de quem sabe dos verdadeiros acontecimentos. E quais foram, então?

O aluno “agredido” estava numa aula. O professor “agressor” estava noutra aula numa sala ao lado. A confusão e a gritaria eram de tal ordem que o professor foi averiguar o que se passava. Encontrou o aluno com uma cadeira no ar a tentar agredir os colegas da turma. O aluno estava descontrolado e não tinha verdadeira consciência dos actos que praticava. O professor esforçou-se na tentativa de imobilizar o aluno. Nesse processo, o professor foi obrigado a usar de alguma força, dada a forte resistência do aluno. É natural que apresente algumas marcas. Se o professor em causa devia ou não intervir, é uma questão que não me compete a mim responder. A verdade é que o fez para evitar males bem maiores e garantir a segurança dos outros alunos da turma.

Tudo quanto se diga a mais do que o descrito, é falso.

Devo ainda esclarecer que o aluno foi apresentado pela encarregada de educação como sendo portador de síndrome de autismo. Não consegui apurar a veracidade desse facto. No entanto, posso afirmar que, de acordo com testemunhos de alunos, colegas do aluno em causa, que esta cena de violência agora ocorrida, tem sido recorrente desde a pré-primária e durante os 4 anos do primeiro ciclo. Este aluno já pontapeou polícias, agressões verbais e, inclusivamente, foi visto na anterior escola a usar de violência contra a própria mãe que não o conseguia controlar. As mesmas testemunhas asseguraram-me que também era recorrente serem agredidas por ele dentro da escola. Numa dessas situações, refugiaram-se na casa de banho que esse aluno fez questão de fechar por fora. Outros professores do primeiro ciclo que conhecem o aluno, confirmaram-me esta realidade. Por alguma razão o percurso escolar deste aluno não tem sido pacífico e são muitas as situações de violência que, voluntária ou involuntariamente, o aluno desencadeou.

Não se trata de defender ou acusar aluno ou professor. Trata-se do respeito pela verdade e, tanto o aluno como o professor merecem esse respeito. Aliás, todos os alunos e todos os professores, desta ou de outras escolas, merecem esse respeito. Se há Instituição neste país onde possamos confiar e se há trabalhadores em quem possamos confiar, essa Instituição chama-se escola e esses trabalhadores chamam-se professores.

14 opiniões sobre “Há sangue na escola

  1. Absolutamente de acordo! É preciso apurar sempre a verdade dos factos, de ambos os lados. Mas todos sabemos que a caça às audiências é o que verdadeiramente move a comunicação social. Por isso, vale tudo!

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  2. o problema é que os colegas estão todos muito indignados e os alunos também não gostaram nada. Eles sabem por que razão o nosso colega teve de intervir para defender o resto da turma. Vive-se agora um ambiente muito desagradável na escola. Muita indignação que começou mal este primeiro artigo foi publicado.

    https://www.noticiasaominuto.com/pais/2489008/aluno-agredido-por-professor-mae-denuncia-caso-e-escola-nao-confirma

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  3. Se o professor imobilizou o agressor para proteger o resto da turma de modo a evitar uma desgraça, é um crime! Mas se o professor nada tivesse feito, e o pior tivesse acontecido – a morte de algum aluno ou a incapacitação física e/ou mental para o resto da vida – estaria também a ser julgado por isso, e essa mãe já não iria querer expor o filho e fazer queixa à polícia! Será que ela se importaria com a tragédia causada pelo filho e com a mãe ou mães dos filhos agredidos fatalmente?

    O problema parece ser mais do mesmo que temos vindo a assistir nos últimos tempos: a constante vitimização dos culpados e a culpabilização dos inocentes. A propósito de situações como esta, costumo ironizar com o caso do Ricardo Salgado: se os clientes do Banco Espírito Santo não se tivessem queixado por terem sido lesados há 10 anos atrás, o pobre do Ricardo não estaria agora a sofrer de Alzheimer!

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  4. Foi com grande indignação que li o que foi escrito e divulsão pela comunicação social, como uma verdade absoluta e sem ouvir quem de direito. De seguida veio a revolta. Revolta pelo desrespeito pelo professor e colega que protegeu os alunos da turma, que evitou um mal maior, que arriscou a sua própria integridade física e que vê agora a sua integridade pessoal e profissional atiradas para a lama. Como mãe e como professora, não poderei nunca aceitar tamanha injustiça.
    Os alunos da escola que conhecem o suposto aluno agredido, reiteram o seu temperamento instável. Apoio e defendo o meu colega de profissão e sinto vergonha alheia pela atitude desta mãe.

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  5. Obviamente que este aluno precisa de ajuda, urgentemente! A escola não tem psicólogo?

    A mãe também precisa de ajuda para conseguir ajudar o seu filho.

    Sou mãe e professora!

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    1. Em relação ao diagnóstico do aluno, há muita coisa ainda por esclarecer. Fala-se que o miúdo já tinha sido medicado mas que a mãe não permite a medicação. Não sei se é verdade ou não.
      Eu concordo que ambos precisam de ajuda, desde que a queiram aceitar. Só posso afirmar que nas aulas e na escola o aluno é acarinhado e bem acompanhado.

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    2. Tive só hoje conhecimento que esta senhora encarregada de educação apresentou na escola o relatório de um médico a atestar o autismo de que falava, 2 dias depois dos acontecimentos. Todos desconheciamos do espectro de autismo daquele aluno. No entanto, afirmou frente às câmaras da tvi e sic que a escola tinha conhecimento desde o inicio do ano letivo. Mentiu. Mentiu nisso e faltou à verdade em quase tudo o que afirmou.

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