E se perguntarmos:
Onde é que não há violência?
Existe neste planeta algum ser vivo imune à violência?
Alguém, alguma vez na vida não exerceu já algum tipo de violência?
E, se não a exerceu, não sentiu já vontade de a exercer?
Não será a violência um traço comum que nos define como humanos? Tal como a dor, a alegria, o ódio ou o amor?
É.
Tudo depende das circunstâncias em que a violência é exercida, do tipo de violência e da forma como a sabemos ou não controlar.
A violência, sobretudo nos últimos anos, transformou-se num imenso e lucrativo negócio. A violência é transacionada nos canais de algumas televisões e nos títulos de alguns jornais como qualquer outra mercadoria. Talvez com a diferença de vender melhor e a melhores preços. As pessoas ligam esses canais, olham para esses jornais, gostam e compram. As tv e jornais agradecem e o negócio floresce ao ritmo do nosso desejo opaco de violência.
“Pânico: casamento acaba em chamas.”
“Veja: Ucrânia debaixo de fogo”
“Portugal a arder”
“Revolta isola Lisboa”
Em política, o negócio também floresce. Vende-se tanta ou mais violência no parlamento do que democracia.
Nunca observaram o tom azedo e agressivo com que alguns especialistas do caos e da violência falam? Um, em especial, nem fala, berra! Parece que muita gente gosta desses berros. Se não gostassem, não compravam, porque as sondagens provam que gostam. E eles aproveitam. Aproveitam tão bem que conseguem vender qualquer ilusão. A ilusão que a pureza e a bondade só encarnaram neles. Os outros são todos corruptos e maus.
Por que razão, especial ou divina, as escolas têm de ser um santuário de paz e amor? Portugal é o sexto país mais seguro do mundo. Penso que as escolas devem estar nos cinco melhores.
E não há violência nas escolas? Há. No meu agrupamento de escolas, que não é o maior do país, circulam pelas salas, recreios e corredores, todos os dias, cerca de três mil alunos. Nas salas de aula, há professores que interagem com mais de 100 ou 150 alunos por dia. Os professores são muito mais do que heróis.
É verdade que as escolas deveriam e poderiam exercer maior controlo da violência. Reina muita impunidade e ausência de responsabilização dos alunos. E a violência cresce. A violência não é amorfa. Será este o maior pecado da escola. E isto é grave. Os alunos e encarregados de educação sabem disso. Não é por acaso que, regra geral, a culpa sobra sempre para o professor.

Sim, esta é a realidade, infelizmente. Portugal devia envergonhar-se desta realidade deplorável e humilhante para um país que se diz democrático e seguro. Até quando?
Este texto devia chegar a todos os meios de comunicação social, sobretudo à imprensa escrita. Este problema devia também ser debatido na Assembleia da República, onde a violência psicológica, emocional e do discurso tornam os próprios deputados e demais políticos verdadeiros maus exemplos para os mais jovens.
É verdade que o ser humano é naturalmente violento e maldoso, mas até esses sentimentos podem ser controlados ou geridos de forma a minimizar os seus efeitos. As condições de vida e de trabalho dignas, a educação e a informação de qualidade, séria e verdadeira, são os melhores antídotos contra o pior lado do ser humano.
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os teus comentários são melhores que os meus textos.
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Desde que seja sobre a verdade, todos os textos/comentários são seguramente bons. Seria péssimo se não houvesse quem falasse ou escrevesse sobre a verdade, ainda que a verdade possa ser vista de diferentes ângulos ou perspetivas. É tão importante e enriquecedor como ver diferentes pinturas da mesma paisagem ou retratos da mesma pessoa. A verdade está sempre lá, e prevalece, para quem a quiser ver e entender.
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