Os empresários em Portugal são pessoas muito cultas, muito interessantes e muito preocupadas com a criação de riqueza.
Ouvir o senhor Armindo Monteiro, presidente da CIP, é o mesmo que ouvir o lobo a justificar o gosto pelos cordeirinhos tenros e saborosos. Criação de riqueza: O maná da salvação social. O Santo Graal da economia e da felicidade dos trabalhadores e das famílias.
Já ouço este argumento desde criança ainda nos tempos da rádio da emissora nacional. Ainda não aprenderam outra estratégia para enganar os trabalhadores.
A criação de riqueza é realmente importante em qualquer sociedade. Qualquer… não é bem. Portugal foge um pouco à regra, porque está na cauda dos que melhor sabem distribuir essa riqueza. Mas esse não é um problema para a CIP.
Muito menos se preocupam com os miseráveis salários, porque a riqueza, a sua riqueza, é sempre fundamental.
Isto é:
a criação de riqueza não está dependente de trabalhadores motivados e bem remunerados ou das condições de trabalho. Para a CIP produzir riqueza, o que importa é que se trabalhe a qualquer preço, desde que seja baixo, porque assim o argumento é sempe válido. Temos de criar riqueza, porque a riqueza criada nunca é suficiente para melhorar salários e equiparar aos níveis europeus.
Aos olhos da CIP e dos empresários, criar riqueza nunca está dependente da riqueza criada, sempre pelo contrário.
