Agarrei nas palavras do Cardeal Tolentino de Mendonça. Eu, eu que me confesso de ateu, respeitador da vontade religiosa de cada indivíduo, tal como da vontade de género e de todas as outras vontades que não ameacem o direito de todo o ser humano a ser feliz. Dizia ele, poucos dias antes das eleições do dia 10 de março.
“Alguém que já tenha pegado numa Bíblia saberá que aquilo que o André Ventura defende é totalmente contrário a tudo o que Deus nos diz e pede. A afirmação de que foi ‘o escolhido por Deus’ só é possível quando não se tem vergonha na cara”
E conclui o Cardeal Tolentino “Deus é amor, fraternidade e compaixão, não é ódio, crueldade e punição, como esse senhor defende.”
Se já era ateu, mais ateu fiquei. Absorvo estas sábias palavras do Cardeal, mas não me matam a fome de felicidade e justiça. Causam-me antes uma profunda consternação e alguma náusea, porque o voto de tantos católicos caíu nas graças do senhor Ventura.
Ser católico não é só um ritual. Tem de ser também uma causa. Aumenta a responsabilidade e não podemos pregar uma doutrina e praticar o seu contrário. A vitória eleitoral do senhor Ventura, deveria envergonhar todos os católicos e todos os não católicos. Porque nos envergonha a todos como humanos.
Enquanto Homem, agradeço as palavras do Senhor Tolentino e repudio todos quantos votaram num partido chamado CHEGA.
Não por se tratar de preferências ou sensibilidades políticas. Pouco me importa se votaram à esquerda ou à direita. Mas importa-me se votaram contra a dignidade e felicidade que todos os seres humanos merecem. Não têm desculpa.
