Por enquanto, perdeu-se uma batalha, mas não se perdeu a guerra. É muito bom estarmos conscientes disto. A organização Chega ganhou, porque ultrapassou as expetativas e é perigoso, mas nós temos cerca de 80% do eleitorado que não votou racista. Somos a esmagadora maioria e não nos podemos acobardar. A força da razão está nos 80% dos eleitores.
Aquela organização que berra a chamar de bandidos às pessoas que estão ao lado do Presidente da República de visita a um bairro pobre de Lisboa, não pode ser menosprezada e tem de ser ferozmente combatida pelos 80% que demonstraram lucidez suficiente para não se deixarem enganar pelo aliciante canto das sereias.
Dos maiores perigos daquela organização, não são só os 50 deputados ou os cerca de 20% de eleitorado que neles votou. O maior perigo parece oculto mas já se vislumbra com muita nitidez no dia a dia de muito cidadão. Nós e os outros. Tal como durante os 48 anos de fascismo que terminaram no dia 25 de abril de 1974, para esta gente, quem não é por nós é contra nós. Ou estás a favor do fascismo ou és comunista. E temos uma sociedade e um país divididos quando antes ninguém sentiu necessidade de levantar um problema que não existia.
O que se passou no Brasil com Bolsonaro ou na América com Trump, corre o sério risco de acontecer connosco e temos amanhã um bando de arruaceiros vindos sem que se saiba de onde a cercar um parlamento ou a achar-se no direito de um golpe de estado porque eles é que têm razão. A divisão e o confronto inevitável entre duas forças opostas é um dos grandes desafios que começamos agora a enfrentar.
Não prevejo nenhuma guerra civil, mas não seria a primeira vez em Portugal. Entre 1832 e 1834 enfrentámos uma violenta e sangrenta guerra civil entre obsolutistas conservadores e liberais democratas. Felizmente venceram os liberais, mas muito sangue correu em Portugal. O problema hoje não é tão diferente como possa parecer. Nós, os bons, contra vós que sois os maus. Para que não fiquem dúvidas, para eles os maus são os que defendem a liberdade e a democracia.
Esta divisão social ganhou em Portugal com Salazar, ganhou em Itália com Mussolini, ganhou em Espanha com Franco e ganhou na Alemanha com Hitler. Todos da família política da organização partidária Chega. Todos sabemos e conhecemos o desfecho desta história.
Não aprendemos nada?
PS.
Parabéns aos emigrantes do extremo oriente, China/Macau. A organização chega só obteve 5% dos votos num universo de 6000 votantes.
