Às vezes tenho vontade de ser mau, muito mau.
A comunicação social, com realce para todos os canais privados de televisão e jornais de âmbito nacional têm demonstrado ser os principais agentes de divulgação da ideologia da ditadura do antigo regime, combatido e morto no dia 25 de abril de 1974.
O texto e o “estudo” com o título, MAIORIA DIZ QUE DEMOCRACIA É PREFERÍVEL, MAS 47% APOIARIA UM LIDER FORTE SEM ELEIÇÕES.” é uma ofensa grave a todos os portugueses de bem e democratas assim como um violentissimo ataque às comemorações dos 50 anos do dia da liberdade.
(jornal público, dia 18 abril 2024)
O estudo foi realizado pelo ISCSP/CAPP.(Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas) e pretende mostrar ou demonstrar como os portugueses admitem aceitar outras formas de governo para além da democracia.
Ou, dito por outras palavras mais simples:
O Doutor Coordenador deste estudo, Ricardo Ramos Pinto, presidente desse Instituto, pretende mostrar que os portugueses estariam dispostos a voltar a viver em ditadura e sem necessidade de eleições.
O que o Senhor Doutor Ramos Pinto pretende dizer, não se poupando a esforços e, alegadamente, utilizando recursos financeiros públicos, é que os portugueses gostariam de voltar a viver os tempos dos 48 anos de fascismo que deixou o nosso país na cauda da europa em todos os dominios imagináveis, desde a pobreza ao analfabetismo.
O Senhor Doutor Ramos Pinto apresenta um currículo invejável, mas que eu não invejo. Esse Senhor Doutor foi um dos principais responsáveis pelas homenagens públicas prestadas ao Senhor Adriano Moreira em 15 de Setembro de 2022. Lembram-se de Adriano Moreira? Esse mesmo, Ministro do Ultramar em 1961/62 no tempo do Senhor Oliveira Salazar, o tal ditador que o Dr. Ramos Pinto parece tanto admirar. Adriano Moreira, o Ministro que organizou toda a logística responsável pelo envio de centenas de milhar de tropas portuguesas para a guerra em África. Co-responsavel pela morte de mais de 10 mil soldados portugueses, sem contar as vítimas dos nativos africanos.
Foi este Ministro que o Dr. Ramos Pinto fez questão de elogiar, pronunciando ainda estas exatas palavras “um cidadão do mundo” estando até hoje “permanentemente à frente do seu tempo” além de ainda referir “uma enorme dívida de gratidão”.
Perguntem aos pais dos soldados mortos em África. Perguntem aos soldados que lá lutaram e aos milhares de mutilados que de lá regressaram. Perguntem aos povos africanos vítimas da carnificina de um colonialismo anacrónico, porque já todas as potências europeias tinham procedido à descolonização. Perguntem-lhes se consideram o senhor Adriano Moreira um cidadão do mundo. Perguntem-lhes se lhe estão gratos por alguma razão.
O Senhor Presidente daquele prestigiado instituto universitário de Lisboa, Ricardo Ramos Pinto, pode ir pregar fascismo e realizar pretensos estudos ideológicos para outra freguesia. Os portugueses não querem o regresso a esse passado que ele tanto admira.
E o jornal PÚBLICO melhor serviço público faria se calasse a boca aos saudosistas que pretendem calar a boca dos outros promovendo políticas e políticos antidemocráticos e contra as liberdades individuais dos cidadãos portugueses.
