As circunstâncias e nós

Em determinadas circunstâncias o ser humano faz tudo. Do melhor ou do pior. A História já o demonstrou e contra factos não há argumentos. Só por ingenuidade ou ignorância poderemos afirmar que jamais mataríamos outro ser humano. 

Em determinadas circunstâncias deixamos de ser humanos e poderemos encarnar o animal mais feroz desprovido de qualquer empatia pela vida e pelo outro.

Não sei quem o disse pela primeira vez, mas o meu pai repetia-o muitas vezes.    “quando nasce uma criança, nasce um anjo com um demónio dentro.” Somos todos anjos ou demónios consoante as circunstâncias. 

Aprendemos a falar porque as circunstâncias o permitiram. Aprendemos as regras de convivência social, porque as circunstâncias o permitiram. Numa selva, sem contacto humano, adotaríamos os comportamentos dos outros animais. 

Numa sociedade humana sem regras, sem permissões ou proibições, viveríamos todos numa selva humana onde reinaria o lobo. Ou o homem lobo de outro homem. O regresso à selva seria o mesmo que regressar à escuridão noturna da selvajaria de predadores e vítimas. 

Os predadores já chegaram. Os predadores já convivem connosco. 

O predador pode ser o teu vizinho mais próximo. O predador posso seu eu. O predador podes ser tu. Os predadores poderemos ser todos e as vítimas também. 

A selva invade-nos e só não ouve o rugir das matilhas quem teima em continuar surdo. O apelo da selva é constante e à distância de um telecomando de tv ou de um clic na internet.

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