A Escola outdoor

Formar e educar alunos numa escola não é o mesmo que produzir sapatos numa fábrica. Alunos não são objetos e muito menos mercadoria. O preço de um aluno não se mede, nem se discute. Aluno não tem preço. É aluno. É uma obra de arte em construção que não se encontra à venda.

Os filhos não se escolhem, têm-se. Os alunos também não e uma escola democrática, civilizada e transmissora de valores deve acolhê-los a todos de braços abertos tal como um pai ou uma mãe recebe os seus filhos. E não há filhos ou alunos iguais. É assim que eu entendo a escola e a educação. 

Desgraçadamente, a escola mercantilizou-se e foram-se aplicando as teorias mercantilistas de medir para avaliar como se tudo  pudesse ser mensurável. Acreditam e transmitem a impressão que tudo tem preço e tudo se compra e se vende com dinheiro. A competitividade e a produtividade transformaram-se nos valores que nenhuma escola deveria ensinar.

Gostaria de interrogar muitos Ministros, Secretários de Estado e Diretores de escolas sobre os critérios que teriam aplicado para avaliar, por exemplo, um Einstein, ou milhares de cientistas ou, simplesmente, o nosso único Nobel da Literatura que obteve a medida de 10 valores na disciplina de português no ensino secundário. Com certeza que não receberia o mérito académico. Talvez nem o Nobel.

Recomenda-se,  pedagogicamente, que os professores não verbalizem na sala de aula a nota que cada aluno obteve num teste de avaliação. Foram retiradas das vitrines as pautas com as notas dos alunos e o professor não reclama de nada disso. No entanto, colocam-se outdoors frente a escolas com fotografias de alunos felizes, alunos com méritos. 

A escola mercantilizada. A escola empresa, a escola outdoor. Pena que não mostrem a fotografia do lado negro da propaganda.

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