A TEORIA DA LUTA
Lembro-me de ter lido um livro de Aquilino Ribeiro, “Batalha sem fim” onde o autor retrata muito bem um país, chamado Portugal, fustigado por uma pobreza endémica desde os tempos do seu fundador, e que procura incessantemente enriquecer, de preferência, à custa de pouco trabalho, pouco estudo e quanto mais rápido esse enriquecimento, tanto melhor.
A luta desenvolvida pelos professores nos anos de 2022 e 2023 são a demonstração de que nada, ou pouco, se consegue na vida sem muito esforço, trabalho, estudo, razão e persistência.
Também demonstrou que o sucesso não está nunca ali à mão de semear e só se consegue com o tempo, paciência e com a certeza do sentido de justiça que nos une.
Durante mais de um ano, vi alguns colegas desanimados e desacreditados de uma escola pública de qualidade e de uma profissão respeitada e dignificada. Mas também vi colegas que, de forma brilhante, abraçaram a luta e lutaram até ao fim por uma causa coletiva sem nunca se pouparem a sacrifícios.
Hoje vi na escola rostos de colegas um pouco mais felizes porque, finalmente, viram reconhecidas algumas das causas que os moveram em meses de luta tão intensa e sacrificada.
Sabemos que vencemos uma batalha, mas estamos todos conscientes que o caminho a percorrer ainda está no início e muitas outras conquistas pesam nas nossas consciências porque queremos a melhor escola pública que todos merecemos, a começar pelos alunos.
A consciência de que lutar vale sempre a pena, talvez seja uma das maiores vitórias dos professores nestes últimos anos. Temos de continuar, serenamente, mas sem contemplações. Queremos muito mais, porque é justo e urgente. A escola pública é de todos e todos somos responsáveis por ela.



