A escola-estado

A escola-estado.

Já tivemos a cidade-estado na antiga Grécia. Uma cidade-estado era uma cidade independente com governo próprio e autónomo. Uma comunidade independente com as suas próprias leis e com a mesma língua em comum. Atualmente, cidade-estado também significa uma cidade que se transformou num país minúsculo politicamente autossuficiente, como o Vaticano, por exemplo.

É este o destino das nossas escolas, de acordo com as políticas de educação do anterior e do atual governo. A escola-estado. Cada concelho, um Vaticano. 308 Vaticanos. O Vaticano da Marinha Grande, o Vaticano de Azeitão, o Vaticano de Alijó, o Vaticano de Cinfães, o Vaticano de Cuba, o Vaticano da Horta, o Vaticano de Mora, muitos, 308 escolas-vaticanos. 308 sumo-pontífices, com carreira própria e isentos do fumo branco. Coadjuvados pela inteligência da câmara municipal.

Ainda não sabemos se o diretor da escola seria o presidente da câmara ou se o presidente da câmara seria o diretor da escola. Talvez nunca venhamos a saber. Embora não fosse muito difícil. Bastava olhar para o desordenamento urbanístico de cada município e comparar com o sucesso de cada escola-vaticano. Nada que não aconteça já, mas ainda em muito menor escala.

As escolas abrem em setembro, de acordo com um critério que nunca entendi. Umas num dia, outras noutro. Não seria conveniente abrirem todas no mesmo dia e, não a meio, mas início de setembro e criarem mais pausas ao longo do ano? Os alunos agradeciam e os professores também. 

Umas escolas organizam-se em três períodos escolares, outras em dois. Uns alunos são avaliados com avaliação quantitativa de 1 a 5 ou de 0 a 20 duas vezes por ano e, outros, três vezes por ano. Interrupções de Natal ou Páscoa, uns terminam num dia outros terminam noutros dias. Uns têm aulas de 90 minutos e de 45 e outros têm aulas de 50 minutos. Escolas onde se pode reprovar e outras nem pensar nisso. Escolas com disciplinas, tantas disciplinas, que nem os alunos sabem o nome e outras com outras tantas e que ninguém leva já a sério. Umas terminam no princípio de junho, outras a meio e outras no fim.

É um mundo muito estranho o mundo das escolas portuguesas. Poucos se reveem nesta bizarra forma de organização. Como se uma escola em Lisboa, com alunos lisboetas, tivesse de ser diferente duma escola em Leiria, com alunos leirienses. O experimentalismo e o empirismo ao serviço da inovação nacional. As escolas-vaticano. Só o demónio se poderia lembrar de tal coisa.

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