A escola empresa

Uma escola não fabrica sapatos nem toalhas de praia. Uma escola também não fabrica pessoas. Uma escola educa pessoas. Uma escola forma pessoas.

Uma escola não vende nem compra mercadoria humana, porque as pessoas não são mercadoria. Uma escola não está, nem pode estar, cotada em bolsa. Uma escola não vende ações e não está, nem pode estar, sujeita às leis de mercado. Uma escola não distribui dividendos pelos acionistas. Uma escola cria e oferece os dividendos, a todos, sem discriminação. 

Gerir financeiramente uma escola não é, nem pode ser o mesmo, que gerir financeiramente uma fábrica. Uma fábrica pode falir, uma escola não. Se a escola falir, falimos e perdemos todos. Não há fábricas sem escolas. Mas pode haver escolas sem fábricas. O lucro de uma empresa mede-se com o algoritmo da empresa. A mais-valia é a medida entre o preço de custo e o preço da venda.

Como é que avaliamos os lucros de uma escola? Qual é a diferença entre o preço de compra de um produto e o seu preço de venda numa escola? Qual é o produto transacionado numa escola? Como é que avaliamos as mais-valias? Pode um ser humano, a matéria-prima das escolas, ser avaliado com preço de custo e preço de venda?

É a escola que temos. A escola empresa. A escola fábrica. A escola que finge avaliar alunos, porque todo o produto que sai da linha de montagem é um sucesso. E, sem sucesso, não há lucro. Avaliação séria e honesta não pode garantir sucesso. A avaliação, e não só a de conhecimentos, mas também a avaliação ética, inverteu-se. O avaliado deixou de ser o produto, porque a função de avaliador é incómoda e pode dar prejuízo à empresa se avaliar o produto de acordo com o seu valor de mercado. 

O patrão já tomou posse. E gere a escola empresa sem a maçada de concurso público. Ou privado. É eleito com algoritmos que nada têm a ver com escola. E quantos sem competências. Só têm de obedecer às leis da empresa, que por sua vez só tem de obedecer às leis do lucro, às leis do sucesso e da continuidade. Obedecer às leis que matam a democracia. E a liberdade. Outros gestores indiferenciados se perfilam no caminho da escola. A escola mercantilizada.

A minha escola é outra. A escola da justa gestão da matéria-prima e dos recursos humanos. A escola que sabe transformar o diamante fosco num diamante brilhante e humano. E sem discutir o preço ou o lucro. Uma escola de pessoas e não uma escola de produtos.

Esta é a minha escola. A outra, a escola empresa, renego, como renego a Satanás. 

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